O camarim ao lado da suíte de Momonga era uma bagunça caótica de itens, com quase nenhum lugar para colocar os pés. Havia itens como capas, com as quais Momonga podia se equipar, e conjuntos de armaduras de placa, que ele não podia usar. Além de armaduras e outros itens de proteção, havia armas que iam de cajados mágicos a espadas grandes. Havia verdadeiramente uma variedade de equipamentos.
Matando monstros em YGGDRASIL, cristais de dados iriam cair. Estes cristais podem ser presos aos itens. Partindo dessa mecânica, inúmeros itens originais poderiam ser criados. Se havia um item impressionante a venda, muitas pessoas seriam incapazes de não comprar.
Essa era a razão para o estado desta sala.
Momonga pegou uma espada grande dentre as armas na sala. Liberta de sua bainha, a lâmina prateada brilhava na luz. As runas esculpidas no corpo da lâmina também brilhavam, deixando visíveis aos olhos de qualquer espectador.
Momonga a segurou e balançou ao redor. Era leve como uma pluma.
Claro, isso não foi porque a lâmina era leve, mas porque Momonga era muito forte.
Momonga era essencialmente um Mago e seus atributos de conjuração eram muito altos, mas, em comparação, seus atributos físicos eram menores. Ainda assim, ao atingir o nível 100, ele acumulou uma grande quantidade de pontos de atributos de força por meio de treinamento, o que não deve ser subestimado. Se ele encontrasse monstros de nível baixo, ele poderia facilmente pulverizá-los apenas batendo com força usando seu cajado.
Momonga lentamente tomou uma postura de luta, e então um som alto de tinido metálico ecoou pelo ambiente. A espada que ele estava segurando há pouco estava agora no chão.
A empregada que estava na sala imediatamente pegou a espada e entregou a Momonga. No entanto, Momonga não pegou, mas olhou para as mãos vazias.
Isso é...
Isso fez Momonga ficar confuso.
Embora os NPCs realistas o fizessem pensar que ele não estava mais em um jogo, a sensação irritante de grilhões em seu corpo o fez sentir o contrário.
Em YGGDRASIL, Momonga não tinha níveis nas classes guerreiras, portanto, ele não era capaz de conseguir usar uma espada. No entanto, se esse novo mundo fosse realidade, só fazia sentido que ele fosse capaz de usá-la.
Momonga balançou a cabeça e decidiu não pensar sobre isso. Afinal, ele não seria capaz de encontrar a resposta, não importa o quanto ele ponderasse.
“Arrume isto.”
A empregada seguiu as instruções de Momonga e ele se virou olhando para uma parede que foi quase totalmente coberta com espelhos, mostrando um esqueleto vestindo roupas.
Ele deveria ter ficado com medo depois de ver o que seu corpo havia se tornado, mas Momonga estava indiferente. Na verdade, até parecia natural ser assim.
Havia outra razão para isso, além de estar acostumado com esse visual do seu tempo em YGGDRASIL.
E essa razão era, sua mente tinha mudado junto com seu corpo.
O primeiro sinal disso era o fato de que sempre que ele sentia uma onda intensa em suas emoções, ele imediatamente se acalmava, como se algo estivesse suprimindo-o. Outra coisa era que ele não sentia sede, fome ou fadiga. Pode ter havido algo parecido com luxúria, mas ele não sentiu excitação mesmo quando estava acariciando os seios macios de Albedo.
Uma sensação terrível de perda encheu Momonga, e ele instintivamente olhou para sua cintura:
“Será quê... desapareceu porque eu nunca o usei de verdade?”
No entanto, seus murmúrios e a sensação de perda desapareceram enquanto falava.
Sendo assim, Momonga concluiu que essas mudanças, em particular as alterações mentais, faziam parte da imunidade dos undeads aos efeitos que afetam a mente.
Neste momento, ele possuía um corpo e mente de um undead, mas restavam alguns remanescentes de sua humanidade. Portanto, mesmo quando experimentasse emoções, assim que atingissem um pico, elas seriam imediatamente suprimidas. Se ele continuasse assim, poderia acabar perdendo todas as suas emoções no futuro.
É claro que, mesmo que isso acontecesse, dificilmente seria um grande problema, porque não importava como esse mundo se apresentasse ou o que acontecesse com seu corpo, a maneira que Momonga se via não mudaria.
Além disso, NPCs como Shalltear e assim por diante estariam ao seu lado. Talvez as preocupações por ser um undead fossem prematuras.
“—「Create Great Item」.”
Depois de lançar essa magia, seu corpo foi imediatamente coberto por um conjunto completo de armadura de placas. A armadura era feita de aço de cor azeviche e coberto por decorações de cor dourado e roxo, dando-lhe uma aparência muito cara.
Ele se moveu para testar a sensação. Embora tenha sido um pouco restritivo, ele não foi imobilizado. Além disso, a armadura encaixava-se muito bem em seu corpo, o que era bastante inesperado, considerando as lacunas entre os ossos e a armadura. Também cobria cada parte do seu corpo, tornando impossível ver qualquer um de seus ossos.
Parece que ele poderia usar itens gerados por magia, como em YGGDRASIL.
Enquanto Momonga silenciosamente aplaudia as maravilhas da magia, ele espiou a si mesmo no espelho entre as aberturas de seu elmo fechado. Um guerreiro arrojado olhou para ele, nada como um magic caster. Momonga assentiu em satisfação e engoliu em sua garganta inexistente. Com um tom malicioso e inocente, Momonga disse:
“Eu vou sair um pouco.”
“Os guardas estão prontos para quando o senhor desejar.”
A empregada respondeu imediatamente por reflexo. Mas—
Isso tá começando a ficar muito chato.
No primeiro dia de ser seguido pelos guardas, ele se sentiu um pouco oprimido; no segundo dia, ele começou a se acostumar com isso e queria se mostrar com seus guardas, mas quando chegou o terceiro dia—
Momonga suprimiu a vontade de suspirar.
Era tudo muito rígido e formal para ele. Os guardas o seguiam aonde quer que fosse, e sempre que ele encontrava alguém, eles se curvavam.
Ele seria capaz de suportar a situação se ele pudesse apenas passear casualmente com seus guardas. Mas ele não podia fazer isso, porque ele tinha que manter a seriedade do governante da Grande Tumba de Nazarick em todos os momentos. Ele não podia permitir que um momento de frouxidão arruinasse sua imagem, de modo que seus nervos estavam constantemente no limite. Isso causou muito estresse a Momonga, anteriormente um mero humano.
Mesmo que suas fortes emoções fossem prontamente reprimidas, sua mente parecia estar fritando em fogo baixo o tempo todo.
E ainda havia as mulheres inacreditavelmente bonitas ao seu lado o tempo todo, cuidando dele em todos os sentidos. Como homem, ele ficou encantado com a atenção, mas a invasão de seu espaço pessoal e sua vida o incomodava.
Esse estresse era outra relíquia de sua humanidade.
De qualquer modo, não era um bom sinal que ele, o mestre de Nazarick, estivesse sendo submetido a essa pressão emocional em meio a essas estranhas circunstâncias. Isso pode levá-lo a tomar uma decisão ruim em momentos de emergência.
Ele precisava pegar um ar fresco.
Os olhos de Momonga se arregalaram quando chegou a essa decisão. Sua expressão não mudou, é claro, mas as luzes em seus olhos ficaram mais brilhantes.
“Não há necessidade... Não quero que ninguém me siga, eu só quero caminhar por conta própria.”
“Por favor, espere e reconsidere, se algo acontecer ao senhor, devemos nos tornar seu escudo. Não podemos permitir que qualquer dano chegue ao senhor, Momonga-sama.”
As empregadas e os outros vassalos queriam apenas proteger seu mestre, mesmo à custa de suas próprias vidas. Nesse sentido, o pedido de Momonga para caminhar sozinho — que ignorava completamente estes sentimentos — era algo cruel.
No entanto, havia mais de 3 dias desde que essa anormalidade ocorreu, aproximadamente 73 horas. Nesse momento, Momonga tentava desesperadamente manter a dignidade como um Soberano da Grande Tumba de Nazarick, mas agora precisava de um descanso.
Portanto, apesar de se sentir mal por eles, Momonga pensou em uma desculpa e disse:
“...Eu tenho algo secreto para fazer, por isso, todos estão proibidos de me seguir.”
Um breve silêncio se seguiu.
Assim que Momonga estava começando a sentir incomodado com o silêncio, a empregada finalmente respondeu:
“Sim, Momonga-sama. Por favor, tome cuidado.”
Momonga se sentiu um pouco culpado quando a empregada “mordeu a isca”, mas ele decidiu simplesmente ignorar esse sentimento.
Não deve haver nada de errado em fazer uma pequena pausa e sair para conferir a paisagem ao redor. De fato, era muito importante que ele visse por si mesmo se eles realmente haviam sido transportados para outro mundo.
O sentimento de culpa começou a se acumular novamente, pois Momonga começou a se sentir egoísta demais. Momonga afastou a culpa em seu coração e ativou o Anel de Ainz Ooal Gown.
♦♦♦
Seu destino foi um grande salão. Havia fileiras de lápides mortuárias estreitas em ambos os lados dele, mas não havia cadáveres nelas agora. O chão era calcário polido. Atrás de Momonga havia um lance de escadas que desciam e, no final, havia um conjunto de portas duplas, através das quais se podia acessar o 1º Andar da Grande Tumba de Nazarick. Os castiçais nas paredes não tinham tochas; a única luz vinha do luar branco-azulado que entrava pelo lado de fora.
Este era o local mais próximo da superfície que o Anel de Ainz Ooal Gown podia levá-lo, o Mausoléu Central na superfície da Grande Tumba de Nazarick.
Tudo o que ele precisava fazer era dar alguns passos para alcançar o mundo exterior. Mas, apesar do vasto espaço diante dele, Momonga não pôde dar os passos.
Isso foi por causa do encontro completamente inesperado diante dele.
As silhuetas de seres heteromórficos surgiram diante dele. Havia três monstros no total.
Um deles parecia um demônio terrível. Presas se projetavam de sua boca e seu corpo estava coberto de escamas. Tinha braços fortes e garras afiadas, assim como asas flamejantes e uma cauda serpentina.
Outro era um monstro de aparência feminina com a cabeça de um corvo, vestida com uma roupa de BDSM bem justa ao corpo.
O último usava uma armadura completa que estava aberta na região torácica, revelando orgulhosamente seus músculos abdominais. Se não fosse pelas asas negras de morcego e pelos dois chifres salientes de suas têmporas, poderia ter sido confundido com um belo jovem. No entanto, seus olhos tinham um desejo que não conhecia limite.
Eles eram os Generais Demônios; Evil Lord Wrath, Evil Lord Envy, e Evil Lord Greed, respectivamente.
Todos os três focaram sua atenção em Momonga, mas não se moveram, ficaram apenas observando com seus olhares inabaláveis. A atmosfera sombria pesava sobre todos os presentes.
Eles eram todos monstros em torno do nível 80 ou mais, e deveriam ter sido designados para o serviço de sentinela ao redor do Santuário Infernal onde Demiurge morava, que era perto do portão do 8º Andar. Os lacaios undeads de Shalltear deveriam ter sido colocados nos andares superiores para ficarem de guarda. Então, quais eram os motivos dos subordinados de Demiurge estarem aqui?
Atrás deles havia mais uma figura. Momonga não tinha notado ele até agora, mas estava assistindo Momonga desde o começo. Uma vez que ele se revelou, tudo ficou claro.
“Demiurge...”
Ao ser chamado, o demônio soltou um olhar surpreso. Aquele olhar poderia ser visto como se despertasse várias perguntas “Por que seu mestre está aqui?” ou “Quem é esse misterioso monstro?”.
Momonga decidiu apostar em uma pequena possibilidade e avançou. Se ele parasse agora, seria um milagre se sua verdadeira identidade não fosse descoberta. Afinal, seu plano era prosseguir lentamente enquanto permanecia perto da parede, ele avançou ignorando os monstros.
Ele estava plenamente consciente de que seus olhos estavam nele. No entanto, Momonga suprimiu seus sentimentos de fraqueza com força de vontade, alinhou seu corpo com um ar soberano e continuou avançando.
Depois de se aproximarem um do outro, todos os demônios simultaneamente genuflectiram e curvaram a cabeça em submissão. Aquele que estava à frente deles era, obviamente, Demiurge. Seus movimentos puros eram suaves e elegantes, como se fosse um nobre.
“Momonga-sama. Posso perguntar o que o senhor está fazendo aqui sem trazer seus guardas? E com este tipo de vestimenta...?”
O segredo foi imediatamente exposto.
Pode-se dizer que Demiurge era o mais sábio na Grande Tumba de Nazarick, então ter sido descoberto era inevitável. No entanto, Momonga sentiu que a razão pela qual ele foi visto foi por causa do teletransporte.
Apenas uma pessoa em Nazarick possuía o Anel de Ainz Ooal Gown, que permitia a seu portador se teletransportar livremente pelos andares — Momonga.
“Ah... É complicado. Demiurge, você deveria saber o porquê eu estou vestido assim.”
O rosto elegante de Demiurge se torceu em consternação. Ele respirou várias vezes antes de responder:
“Minhas mais profundas desculpas por ser incapaz de adivinhar suas insondáveis intenções, Momonga-sama—”
“Me chame de Guerreiro Negro.”
“Guerreiro Negro-sama...”
Demiurge parecia querer dizer algo, mas Momonga decidiu ignorá-lo. Embora o nome soasse modesto em comparação aos utilizados no jogo, este era, na verdade, bastante comum e normal.
A razão por trás de Demiurge se dirigir a ele por um nome diferente era bem simples. Embora apenas Demiurge e seus vassalos estivessem aqui no momento, este lugar era uma saída, e muitos subalternos passariam por aqui. Momonga simplesmente não queria que eles o chamassem de “Momonga-sama, Momonga-sama”, onde quer que ele fosse.
O quanto Demiurge compreendia sem conhecer os pensamentos de Momonga? Só então, um olhar de iluminação encheu o rosto de Demiurge.
“Entendo... Então é isso que planeja.”
Eh? O que eu planejo?
Momonga não poderia deixar de se perguntar.
Momonga se impediu de falar as palavras em seu coração.
Como um ser que outrora fôra um homem mortal, Momonga não tinha idéia de que conclusão Demiurge, que é inteligente e astuto além da medida, tinha chegado depois de suas reflexões. Tudo o que ele podia fazer era esperar que Demiurge percebesse suas verdadeiras intenções, pois sua cabeça estava coberta de suor frio inexistente sob o elmo.
“Acredito que tenho alguma compreensão de suas intenções, Momon... perdão, Guerreiro Negro-sama. Na verdade, são considerações que somente o governante desse domínio teria levado em conta. Entretanto, não posso permitir que meu nobre mestre proceda desacompanhado. Estou ciente de que isso pode incomodá-lo, mas espero que, em sua ilimitada misericórdia, permita que nós o acompanhemos.”
“...Realmente não há como impedir. Então eu vou permitir apenas um de vocês.”
Demiurge sorriu elegantemente.
“Meus sinceros agradecimentos por ter satisfeito meu pedido egoísta, Guerreiro Negro-sama.”
“...Me chame apenas de Guerreiro Negro, pode dispensar os honoríficos.”
“Como eu poderia!? Fazer isso seria imperdoável. É claro que posso obedecer a essa ordem enquanto atuo como um espião ou realizo missões especiais, mas dentro da Grande Tumba de Nazarick, como alguém poderia não mostrar o respeito devido a ti, Momonga-sama... perdão, Guerreiro Negro-sama!”
O monólogo apaixonado de Demiurge mexeu um pouco com Momonga, e ele não pôde deixar de assentir em aprovação. Ele pensou que ser chamado de Guerreiro Negro levaria as pessoas a zombar dele por ter um nome tão idiota, e ele lamentou escolher aquele pseudônimo tão casualmente.
“Perdoe-me por desperdiçar seu valioso tempo, Momon... Guerreiro Negro-sama. Então, Evil Lords esperem aqui por ordens e expliquem aos outros que eu estou ocupado no momento.”
“Entendido, Demiurge-sama.”
“Bem, parece que seus subordinados também aprovam. Então, Demiurge, vamos.”
Momonga passou por Demiurge, que levantou a cabeça e seguiu seu mestre.
♦♦♦
“Por que o Momon— Ghrum. Guerreiro Negro-sama estava vestido daquela maneira?”
“Não sei, mas deve haver algum motivo.”
Os Evil Lords murmuraram um para o outro em confusão.
A título de curiosidade, mesmo sem ver Momonga em seus trajes usuais, eles sentiam que era seu mestre, pois havia uma mecânica secreta agindo sobre eles.
Momonga não sabia disso, mas os habitantes da Grande Tumba de Nazarick — ou melhor, todos os servos da Ainz Ooal Gown — irradiavam uma aura que permitia determinar se um estranho era amigo ou inimigo. Dentro da guilda, a aura dos 41 Seres Supremos que governaram Nazarick — agora reduzida a Momonga — era suficiente para informá-los de que a pessoa que os encarava era seu governante supremo. Eles podiam sentir sua poderosa presença à distância e, independentemente de toda a armadura de placas que usava, não poderiam confundir Momonga com qualquer outra pessoa. Teriam percebido o verdadeiro rosto de Momonga imediatamente, não importando os meios que ele usasse para se disfarçar.
Era fácil diferenciar sua aura das outras em Nazarick.
As portas do 1º Andar se abriram e alguém subiu as escadas.
A julgar pela aura que vinha da escada, o recém-chegado era um Guardião.
Os Evil Lords viram o lindo rosto da Supervisora Guardiã, Albedo, emergindo dos degraus. Eles se genuflectiram quando perceberam que estavam na presença de alguém que era igual ao seu mestre, Demiurge.
Para Albedo, os vassalos genuflectirem diante dela era algo meramente natural, então ela não prestou atenção quando olhou em volta.
Só depois que Albedo não conseguiu encontrar a pessoa que estava procurando, ela se virou para os Evil Lords. E disse sem se dirigir a ninguém em particular:
“...Eu não vejo o Demiurge, para onde ele foi?”
“É quê... O Guerreiro Negro-sama esteve aqui e o Demiurge-sama o seguiu para fora.”
“Guerreiro Negro... -sama? Eu nunca ouvi falar desse nome... Demiurge saiu com essa pessoa? Um Guardião seguindo um desconhecido para fora? Que estranho...”
Os Evil Lords se entreolhavam sem saber o que responder.
Albedo olhou para os três com um sorriso cordial.
“Será que meros servos se atrevem a esconder alguma coisa de mim?”
Sua advertência gentil e suave fez os Evil Lords estremecerem de medo, e eles perceberam que não podiam esconder a verdade.
“Quando o Guerreiro Negro-sama veio aqui, Demiurge-sama concluiu que ele era um Ser digno de nosso respeito.”
“...Momonga-sama veio aqui!”
A voz de Albedo pareceu um pouco estridente, e os Evil Lords calmamente responderam:
“...O nome dele era Guerreiro Negro-sama.”
“...E seus guardas? Demiurge recebeu alguma notificação do Momonga-sama? Mas eu já tinha um compromisso com ele, então isso significa que o Demiurge não sabia que o Momonga-sama estava vindo? Ah, esqueça, eu preciso tomar banho e trocar de roupa!”
Albedo tocou sua roupa.
Suas roupas estavam sujas de seu trabalho. Seu cabelo estava emaranhado nas extremidades, assim como suas asas.
No entanto, essas pequenas imperfeições não poderiam diminuir o apelo de uma beleza Classe Mundial como Albedo. Era insignificante, como a perda de um ou dois pontos em cem milhões. No entanto, para Albedo, até mesmo a menor falha em sua aparência era uma marca de fracasso. Ela não podia mostrar esse seu “eu” imundo ao homem que amava tão afetuosamente.
“A área de banho mais próximo... o da Shalltear? ...Mas isso pode deixá-la desconfiada... Eu devo ser capaz de lidar com isso. Você aí, vá para o meu quarto e pegue minhas roupas! Imediatamente!”
Neste momento, Envy perguntou para Albedo, que estava andando de um lado para o outro.
“...Albedo-sama, embora isso possa ser rude de minha parte, seu vestuário atual já não está bom?”
“...O que disse?”
Albedo parou de cirandar e respondeu com raiva. Ela pensou que a outra mulher queria que Momonga a visse nesse estado desleixado.
“...Nada, eu simplesmente quis dizer que uma mulher bonita como a senhora seria melhor servida, mostrando os sinais de estar trabalhando com afinco. Afinal, ainda se beneficiará, não é mesmo, Albedo-sama?”
Os outros Evil Lords acrescentaram suas sugestões:
“O tempo investido em tomar banho e se preparar para encontrar o Momonga-sama... Guerreiro Negro-sama, seria muito melhor aproveitado se a senhora fosse encontrá-lo imediatamente, assim não perderia essa boa oportunidade.”
“Hmm—”
Albedo estava imersa em pensamentos. O que eles disseram não estava errado.
“Isso faz sentido... parece que entrei em pânico porque não vejo o Momonga-sama há algum tempo. Eu só posso encontrar o Momonga-sama daqui dezoito horas, você não acha que dezoito horas é muito tempo?”
“Sim. Com certeza.”
“Se eu pudesse terminar de definir a estrutura administrativa e voltar para o lado do Momonga-sama... Então é melhor não perder tempo. Onde ele está agora?”
“Acabou de sair por aquela porta.”
“Certo.”
Embora a resposta de Albedo parecesse curta, havia um sorriso tímido em seu rosto enquanto ela imaginava estar com Momonga, e ela bateu as asas de um jeito adorável. Ela passou pelos Evil Lords com passos apressados.
Os passos repentinamente pararam e Albedo perguntou novamente aos Evil Lords:
“Pela última vez, vocês realmente acham que o Momonga-sama vai aprovar essa aparência toda suja?”
♦♦♦
Depois de deixar o Mausoléu, Momonga foi recebido por uma bela vista. A área da Grande Tumba de Nazarick era cerca de 200 metros de raio, protegida por paredes de 6 metros bem espessas, com uma entrada na frente e uma saída nos fundos.
A grama da Tumba foi cortada dando uma atmosfera confortante. Por outro lado, as árvores tinham galhos frondosos que cobriam grande parte do terreno com escuridão, as sombras extensas davam ao lugar um ar sombrio. Havia também lápides de alabastro espalhadas em desarmonia.
A grama devidamente aparada e as lápides desordenadas criavam um forte sentido de disparidade. Não só isso, a área também foi pontilhada com belas esculturas de anjos e deusas, juntamente com outras obras de arte. Mas o design caótico da tumba era frustrante, para dizer o mínimo.
Além do grande Mausoléu Central, havia quatro mausoléus menores no Norte, Sul, Leste e Oeste, cada um defendido por estátuas de guerreiros blindados, cada uma com 6 metros de altura.
O Mausoléu Central era a porta de entrada para a Grande Tumba de Nazarick, e foi desse lugar que Momonga emergiu para o mundo exterior.
Momonga ficou no topo da escada e calmamente examinou a paisagem diante dele.
A Grande Tumba de Nazarick estava originalmente localizada no mundo gelado de Helheim, que estava perpetuamente envolto em trevas. A atmosfera era sombria e escura, e o céu estava constantemente nublado. No entanto, o que ele via agora era muito diferente disso.
Ele estava olhando para um lindo céu noturno.
Momonga olhou para o céu e não pôde deixar de suspirar. Ele balançou a cabeça, como se incapaz de acreditar em seus olhos.
“Incrível... não creio que eles poderiam incluir tantos detalhes num mundo virtual... o ar aqui é tão fresco que nunca deve ter sido poluído. As pessoas nascidas neste mundo não precisariam de pulmões artificiais para respirar...”
Ele nunca tinha visto um céu noturno tão limpo em sua vida.
Momonga queria lançar magia, mas foi impedido pela armadura que usava. Havia uma certa profissão de magic casters que permitia o lançamento de magias enquanto equipados com alguma armadura, mas Momonga não possuía tal profissão. Como resultado, sua armadura completa impediu que ele usasse magia. Mesmo que a armadura fosse criada por magia, ela não permitiria ao usuário lançar magias enquanto equipado. Atualmente, havia apenas cinco magias que ele poderia usar, mas, infelizmente, magia de voo que Momonga queria usar, não fazia parte delas.
Momonga enfiou a mão no inventário e retirou um item. Era um colar com um pingente em forma de asa de pássaro.
Ele equipou o colar e se concentrou nele. O poder inserido dentro do colar entrou em vigor.
“「Fly」.”
Libertado dos grilhões da gravidade, Momonga flutuou levemente para o céu. Ele subiu em linha reta, ganhando velocidade a cada instante.
Embora Demiurge apressadamente corresse atrás, Momonga não lhe deu atenção e subiu com constância. Antes que percebesse, já estava a várias centenas de metros no ar.
Só então o corpo de Momonga parou. Ele vigorosamente removeu o elmo e não disse nada— não, ao olhar para este mundo, ele não conseguiu dizer nada.
A luz branca-azulada da lua e das estrelas afugentava a escuridão da terra. Os campos, ondulando por um vento suave, pareciam estar cintilando. As incontáveis estrelas e a lua emitiam seu próprio brilho, brilhando intensamente até onde a paisagem se dividia entre céu e terra.
Momonga não pôde deixar de suspirar:
“Isso é lindo... não, lindo não é o bastante para descrever isso... o que o Blue Planet-san diria se estivesse aqui?”
O que ele faria se visse esse mundo onde o ar, terra e água não haviam sido poluídos?
Momonga relembrou seu companheiro do passado, o homem que aparecera nas reuniões off-line da guilda, cujo rosto de pedra havia se transformado em um sorriso delicado quando foi elogiado como um romântico — Um homem gentil que amava o céu noturno.
Não, o que ele amava era a natureza, mas em seu mundo, ela havia sido poluída e quase completamente destruída. Ele começou a jogar em YGGDRASIL porque contemplava as paisagens que não mais existiam na realidade. Ele havia construído o 6º Andar com seu suor, sangue e lágrimas. A parte do céu noturno era seu projeto pessoal, e era uma reprodução do mundo idealizado em seu coração.
Aquele homem que amava a natureza sempre ficava particularmente empolgado quando o assunto surgia. Alguns até achavam ser uma obsessão.
Quão animado ele estaria se pudesse ver este mundo? Quão apaixonadamente ele declamaria suas glórias em sua voz exclamada?
Momonga de repente percebeu que sentia muita falta de seu velho amigo. Esperando ouvi-lo expor seu vasto conhecimento novamente, ele olhou para o lado.
Não havia ninguém lá. Não poderia haver ninguém lá.
Um pouco magoado, Momonga ouviu um bater de asas e um Demiurge transformado apareceu diante dele.
Essa era a forma meio demoníaca de Demiurge, com um par de grandes asas pretas de couro nasceram de suas costas e seu rosto era o de um sapo.
Certas criaturas heteromórficas tinham múltiplas formas. Em Nazarick, Sebas e Albedo tinham outras formas também.
Embora tenha sido problemático treinar níveis em classes raciais heteromórficas, elas eram muito populares porque tinham formas diferentes, como chefões finais em um jogo. Em particular, as pessoas gostavam de como esses seres heteromórficos eram mais fracos em suas formas humana e semi-humana, mas mais poderosos em suas formas totalmente monstruosas.
Momonga desviou sua visão de Demiurge, que estava parcialmente transformado em um demônio, e olhou para as estrelas cintilantes no céu mais uma vez. Ele falou bem baixo, como se para seus amigos ausentes:
“...Mesmo que agora só seja visível o brilho da luz da lua e das estrelas... é difícil acreditar que este mundo é real. Blue Planet-san... este mundo é como um baú de joias.”
“Eu acredito que a beleza deste mundo existe para adorná-lo, Momon— Guerreiro Negro-sama”
Disse Demiurge em uma voz de reverência.
A afirmação repentina soou como se estivesse criticando as memórias de seus companheiros, e isso perturbou Momonga. No entanto, a raiva desapareceu quando ele olhou para a bela vista diante dele.
Além disso, o ato de observar esse mundo de tão alto, deu a impressão que tudo era muito pequeno sob seus pés, fez com que sentisse que talvez não fosse uma má idéia desempenhar o papel de um soberano maligno.
“Realmente, é lindo. Você diz que estas estrelas existem para me adornar... Talvez seja verdade. Talvez o motivo de eu ter vindo aqui, seja reivindicar esse baú de joias que não pertence a ninguém.”
Momonga estendeu a mão na frente e cerrou o punho, e parecia que ele estava pegando as estrelas em suas mãos. Claro, isso foi simplesmente porque a mão dele estava cobrindo as estrelas. Momonga encolheu os ombros de seu comportamento infantil e disse a Demiurge:
“...Não, isso não é algo que eu possa reivindicar para mim mesmo. Talvez estas joias sejam destinadas a adornar a Grande Tumba de Nazarick; eu e meus amigos da Ainz Ooal Gown.”
“...Que declaração comovente. Se é o seu desejo, então, sob suas ordens, eu vou liderar as forças de Nazarick para reivindicar este baú de joias. Eu, Demiurge, gostaria nada mais do que presentear este baú de joias ao meu senhor e mestre, Momonga-sama.”
O flerte clichê fez Momonga rir. Ele ponderou se Demiurge também estava intoxicado pela atmosfera.
“Enquanto não soubermos nada sobre os seres que vivem neste mundo, só posso dizer que é uma idéia tola. Pelo que sabemos, podemos ser considerados fracos neste lugar. No entanto, conquistar este mundo pode ser bastante interessante.”
Conquistar o mundo era algo que apenas os vilões nos programas infantis diriam.
O fato era que conquistar o mundo não era fácil. E havia a questão de governar o mundo depois de conquistá-lo, prevenindo a insurgência e mantendo a ordem pública, bem como todos os outros problemas que poderiam surgir com o governante de várias nações. Quando se pensava sobre essas coisas, percebia-se que quase não havia sentido em conquistar o mundo.
Momonga sabia de tudo isso, mas ele ainda falava em conquistar esse mundo, porque ver sua beleza despertou aquele desejo juvenil dentro dele. Além disso, como ele estava entrando na mentalidade de ser o líder da temida guilda Ainz Ooal Gown, essas palavras acidentalmente saíram de sua boca.
E havia mais um motivo.
“...Ulbert-san, Luci★Fer-san, Variable Talisman-san, Bellriver-san...”
Foi porque ele se lembrou do que seus antigos companheiros de guilda uma vez lhe disseram:
“Vamos conquistar um dos mundos de YGGDRASIL.”
Ele sabia que Demiurge, a mente mais sábia de Nazarick, entenderia que dominar o mundo era apenas uma brincadeira de criança.
Se Momonga tivesse visto o sorriso que se espalhara pelo rosto de sapo de Demiurge, ele certamente não teria deixado as coisas sem aprofundamento.
Mas Momonga não olhou para Demiurge, em vez disso, voltou seu olhar para o horizonte, onde a extensão infinita entre o céu e a terra colidiam.
“...É um mundo desconhecido. Mas eu sou o único que chegou aqui? E se os outros membros da guilda também vieram?”
Embora não fosse possível jogar com vários personagens em YGGDRASIL, seus companheiros que saíram poderiam ter feito novos personagens no último dia do jogo. Além disso, dado que estava online pouco antes do logoff forçado, Herohero poderia ter vindo parar aqui também.
O fato era que a presença de Momonga aqui era uma anomalia. As circunstâncias desconhecidas que o trouxeram aqui poderiam ter trago algum de seus amigos, os levando a ficarem presos em alguma parte do mundo.
Ele não pôde contatá-los usando 「Message」, mas pode haver muitas razões para isso. Eles podem estar em um continente diferente, ou a magia não mais agia da mesma forma e assim por diante.
“...Se é assim... Então, farei com que todos no mundo saibam o nome da Ainz Ooal Gown...”
Se seus camaradas estivessem aqui, então o nome da guilda alcançaria seus ouvidos. Uma vez que descobrissem, eles viriam. Momonga estava muito confiante na força de sua amizade.
Profundamente pensativo, Momonga olhou para Nazarick e uma cena curiosa o agraciou.
Uma onda escura de mais de 100 metros de largura se movia, era terra se movendo como se fosse o mar. Pequenas ondulações subiram da superfície das planícies, indo lentamente na mesma direção em que se fundiram, tornando-se finalmente pequenas colinas à medida que se aproximavam de Nazarick.
Uma gigantesca onda de terra se quebrou contra as paredes resistentes de Nazarick, como uma onda do mar se arrebentando em paredões de rocha.
“...「Earth Surge」. Ele usou suas habilidades para ampliar a área efetiva, bem como suas outras habilidades de suas profissões...”
Momonga murmurou em admiração. Em toda Nazarick, apenas uma pessoa poderia usar essa magia.
“Parece que foi a tarefa certa para o Mare. Camuflar as paredes é uma tarefa fácil para ele.”
“Certamente. O Mare também recrutou vários Golems e undeads — que são incansáveis — para o ajudar. Mas seu progresso é lento e dificilmente ideal. Além disso, algumas depressões serão deixadas depois de mover a terra, que precisará ser preenchida com plantas. Isso só aumentará sua carga de trabalho.”
“...Esconder os muros de Nazarick será uma tarefa demorada. A única questão é, se podem nos descobrir enquanto o trabalho não for finalizado. Como é nossa segurança de perímetro?”
“Os estágios iniciais de nosso sistema de segurança já foram implementados. Saberemos da intrusão de quaisquer seres inteligentes em um raio de cinco quilômetros, e poderemos observá-los às escondidas.”
“Bom trabalho. No entanto... esta rede é gerida pelos subalternos, certo?”
Demiurge respondeu em positivo, Momonga sugeriu que seria bom erguer outra rede de segurança como redundância.
“...Eu tenho um plano para a rede de segurança. Deixe-os encaminhados.”
“Entendido. Discutirei isso com a Albedo e depois ouvirei suas sugestões e exigências. Além disso, Guerreiro Negro-sam—”
“—Tudo bem, Demiurge. Você pode me chamar de Momonga.”
“Como desejar... posso perguntar sobre o que o senhor planeja fazer a seguir, Momonga-sama?”
“Desde que o Mare realizou sua tarefa esplendidamente, pretendo averiguar os detalhes. Eu também planejo ir pessoalmente e dar uma recompensa adequada...”
Um sorriso apareceu no rosto de Demiurge. Era um olhar gentil que parecia completamente fora do lugar no rosto de um demônio.
“Acredito que alcançar as expectativas do mestre, seja a melhor recompensa que ele pode receber, Momonga-sama... Minhas mais profundas desculpas, me lembrei que tenho um compromisso. Quanto ao Mare...”
“Está bem. Vá, Demiurge.”
“Muito obrigado, Momonga-sama.”
Enquanto Demiurge abria as asas para voar, Momonga apontou para um ponto no chão e pousou, equipou seu elmo ao longo do caminho. O Elfo Negro perto do destino de Momonga pareceu notar sua descida e olhou para cima, a surpresa tomou todo o seu rosto quando ele viu Momonga.
Mare correu de forma apressada e feliz quando Momonga pousou no chão. A bainha da saia de Mare esvoaçou ao redor de suas coxas enquanto suas pernas se moviam para cima e para baixo.
Por um momento, algo despontou por baixo, depois desapareceu de novo... não, Momonga não estava interessado em olhar por baixo da saia de Mare. Ele estava apenas curioso sobre o que Mare usava embaixo dela.
“Mo-Momonga-sama! O sen-senhor aqui, seja bem-vindo.”
“Mm... Mare, não há necessidade de ficar nervoso. Trabalhe em seu próprio ritmo sem se apressar. Se não está acostumado com o idioma formal não precisa usar, Mare... Embora, apenas enquanto estivermos em privado, é claro.”
“Eu... Eu não posso fazer isso, como eu poderia não falar respeitosamente com um Ser Supremo... na verdade, Nee-chan não deveria fazer isso também. É terrivelmente rude...”
Embora não gostasse de crianças sendo tão formais em torno dele, Momonga disse:
“Entendo, Mare. Bem, se você insiste, então tudo bem. Tenha em mente que não é algo que estou exigindo de você.”
“S-Sim! ...Em-Embora, posso perguntar o porquê o senhor veio aqui, Momonga-sama? Eu cometi algum erro...?”
“Claro que não, Mare. Na verdade, vim aqui para elogiar você.”
A expressão no rosto de Mare foi do medo de ser repreendido para a surpresa.
“Mare, seu trabalho é muito importante. Mesmo com a nossa rede de segurança, os habitantes deste mundo podem estar acima do nível cem. Se nos depararmos com adversários assim, esconder a Grande Tumba de Nazarick será nossa maior prioridade.”
Mare assentiu furiosamente em concordância.
“É por isso, Mare, que eu queria que soubesse o quanto estou satisfeito por ter realizado sua tarefa. Além disso, quero dizer-lhe como estou aliviado por ter sido você o responsável por ela.”
Uma das regras rígidas da sociedade em que Momonga acreditava era que um bom chefe deveria elogiar o bom trabalho de seus subordinados.
Os Guardiões pensavam muito bem dele; por outro lado, para que eles continuassem a ser leais, Momonga tinha que agir de uma forma digna de seu louvor.
Permitir que esses NPCs, que seus membros da guilda fizeram juntos, sentissem decepção ou traição por causa de suas ações quebrariam seu histórico de ouro como Chefe de Guilda. Seria como uma marca de fracasso marcada em Momonga. Por causa disso, Momonga teve que ser cuidadoso para manter o ar de autoridade condizente com um governante quando ele falava com os NPCs.
“...Entende o que eu quis dizer, não é, Mare?”
“Sim! Momonga-sama!”
Mare poderia estar vestido como uma menina, mas o fato de ele ser um menino era evidente em seu rosto em pânico.
“Muito bom. Então, pelo seu árduo trabalho, eu lhe darei uma recompensa.”
“Co-como, como eu poderia aceitar algo assim? Eu estava simplesmente cumprindo meu dever!”
“...Você merece uma recompensa pelo seu bom desempenho. É apenas natural.”
“Não... Não é justo! Nós existimos para dar tudo de nós aos Seres Supremos, então trabalhar com afinco é apenas o mínimo a ser esperado!”
Este impasse continuou por um tempo, e os dois não puderam encontrar meio-termo. Momonga decidiu dar um fim a esse inconveniente.
“Então, que tal isso. Em troca dessa recompensa, continue seu serviço leal para mim. Isso deve resolver.”
“Is-isso é realmente certo?”
Para interrompê-lo, Momonga produziu a recompensa em questão — um anel.
“Mo-Momonga-sama... o senhor tirou a coisa errada!”
“Não eu—”
“—Isso não pode estar certo! Esse é o Anel de Ainz Ooal Gown, u-um tesouro que só os Seres Supremos possuem! Eu não posso aceitar uma recompensa dessas.”
Momonga ficou chocado em como a recompensa inesperada fazia Mare tremer.
Ele estava correto ao dizer que este anel foi destinado aos membros da guilda. Apenas 100 deles haviam sido feitos, o que significava que havia apenas 59 anéis sem proprietários— Correção, 58. Portanto, eles eram muito preciosos. Mas esse presente não era apenas uma recompensa, mas sim um item que deveria ser usado para um benefício maior.
Para abrandar a imaginação desenfreada de Mare, Momonga disse severamente:
“Acalme-se, Mare.”
“Eu, eu não posso! Como eu poderia aceitar um anel valioso que só os Seres Supremos deveriam possuir—?”
“—Acalme-se, Mare. O teletransporte é bloqueado na Grande Tumba de Nazarick, e isso gera todos os tipos de inconvenientes.”
Depois de ouvir isso, Mare lentamente recuperou a compostura.
“Minha esperança é que durante um ataque inimigo, os Guardiões comandem as forças de seu respectivo Andar. Ao mesmo tempo, seria muito triste se um Guardião não pudesse se movimentar livremente devido ao bloqueio de teletransporte. Por isso, eu dou este anel para você.”
O anel refletia o brilho das estrelas enquanto repousava sobre a palma da mão de Momonga.
“Mare, estou satisfeito com sua lealdade. Ao mesmo tempo, eu entendo sua relutância como um NPC em aceitar este anel que nos simboliza. No entanto, se você realmente entende minhas intenções, aceitará minhas ordens e este anel com elas.”
“Mas, mas por que eu... os outros não deveriam ter um também...?”
“Eu pretendo dar aos outros esses anéis; o escolhi para ser o primeiro. Isso é porque estou satisfeito com o seu trabalho. Se eu desse isso para alguém que não trabalha arduamente, esse anel perderia o significado. Ou pretende desvalorizar este anel?”
“Não, não, claro que não!”
“Então pegue, Mare. Depois de aceitar este anel, continue trabalhando arduamente para Nazarick e para mim.”
Mare nervosamente estendeu a mão e lentamente aceitou o anel.
Momonga se sentiu um pouco culpado enquanto observava Mare. A verdade era que ele tinha um motivo oculto para presenteá-lo com o anel.
Isso porque uma vez que Mare tivesse o anel, seria mais difícil discernirem quem estaria usando teletransporte, assim ocultando um pouco a presença de Momonga.
Enquanto Mare colocava o Anel de Ainz Ooal Gown, ele imediatamente mudou suas dimensões para encaixar no dedo delgado de Mare. Ele não pôde deixar de olhar para o anel em seu dedo, suspirando de alívio por ter ficado firme. Então se virou para Momonga e se curvou profundamente.
“Momonga-sama, obrigado por este grande presente... Eu prometo que a partir de hoje trabalharei mais para não decepcionar o senhor!”
“Então, eu contarei com você para isso, Mare.”
“Sim!”
Um olhar determinado apareceu no rosto de Mare quando ele deu sua resposta imediata.
Por que a Bukubukuchagama-san, que projetou o Mare, o vestiu assim?
Era para vesti-lo diferentemente de Aura, ou havia outro motivo?
Enquanto Momonga estava refletindo sobre essa questão, Mare fez uma pergunta.
“Ah, desculpe-me, Momonga-sama... mas por que o senhor está vestido assim?”
“...Ah, sobre isso...”
Porque eu queria fugir—
Obviamente ele não podia dizer isso.
Os olhos de Mare brilharam quando ele olhou para o perturbado Momonga. Como ele deveria blefar para ser convincente? Se falhasse aqui, toda a atuação que fizera para parecer um comandante teria sido desperdiçada. Nenhum subordinado respeitaria um comandante que estivesse tentando fugir.
Momonga tentou desesperadamente se acalmar, e então a ajuda veio de uma fonte inesperada.
“Isso é simples, Mare.”
Momonga olhou para trás e seus olhos ficaram instantaneamente mesmerizados na pessoa que o observava.
Uma mulher que parecia ser a personificação de toda a beleza feminina estava sob o luar. O brilho branco-azulado se mesclava em seu corpo, que brilhava em resposta. Era como se uma deusa tivesse descido dos céus para adornar a terra. Suas asas negras batiam graciosamente, criando uma rajada de vento.
Era Albedo.
Embora Demiurge estivesse por trás dela, tal era a beleza de Albedo que os olhos de Momonga nem sequer registravam a forma de Demiurge.
“Momonga-sama usou esta armadura e escondeu sua identidade pois não queria perturbar o trabalho dos outros.”
“Quando o Momonga-sama se aproxima, é natural que todos parem o que estão fazendo e se curvem a ele. No entanto, Momonga-sama não queria interromper ninguém. Assim, se disfarçou de Guerreiro Negro-sama para que os outros não parassem de trabalhar para prestar-lhe o devido respeito. Estou correta, Momonga-sama?”
Depois de ouvir a pergunta de Albedo, Momonga assentiu repetidamente.
“Como, como esperado de você Albedo, entendeu minhas verdadeiras intenções.”
“É apenas natural, como a Supervisora Guardiã. Não, mesmo que eu não fosse a Supervisora Guardiã, ainda assim tenho confiança ao afirmar que poderia ler seu coração, Momonga-sama.”
Enquanto Albedo sorria e se curvava profundamente, havia uma expressão bizarra no rosto de Demiurge. Embora pesasse em sua mente, ele não podia se opor à pessoa que o assessorava.
“Então, então foi por isso...”
Mare disse, com um olhar de realização em seu rosto.
Quando olhou para Mare, Momonga viu uma visão que mal podia acreditar que era real. Os olhos de Albedo se abriram de repente, a ponto de parecer que seus globos oculares poderiam cair. Ela estava apontando para Mare de um jeito estranho.
Enquanto Momonga pensava sobre isso, o rosto de Albedo retornou ao seu estado de beleza habitual, foi tão rápido que Momonga achou que tudo tinha sido uma ilusão.
“...Algo está errado?”
—Albedo perguntou.
“Ah, não, nada... tudo bem. Mare, desculpe por ter tomado seu tempo. Faça uma pausa e continue o trabalho de camuflagem depois.”
“S-Sim! Então, Momonga-sama, estou de saída.”
Quando Momonga acenou em despedida, Mare esfregou o anel no dedo e saiu.
“A propósito, por que veio aqui, Albedo?”
“Eu ouvi do Demiurge que o senhor estaria aqui, então vim cumprimentá-lo, Momonga-sama. No entanto, peço desculpas por fazer o senhor me ver neste estado imundo.”
Momonga olhou para Albedo de novo quando ouviu a palavra “imundo”. No entanto, ele não achava que tal palavra fosse apropriada. Certamente havia poeira em suas roupas, mas não ao ponto de diminuir sua beleza.
“Certamente não, Albedo. Seu resplendor nunca poderia ser diminuído por algo tão insignificante quanto pó. Dito isso, me sinto um pouco desconfortável por fazer uma linda donzela como você correr por aí. Mas como estamos em estado de emergência, devo pedir-lhe que continue trabalhando para Nazarick por enquanto. Me desculpe por isso.”
“Eu posso suportar qualquer dificuldade, desde que seja por sua causa, Momonga-sama!”
“Sou grato por sua lealdade. Ah, sim... Albedo, tenho algo para você também.”
“...O que esse algo seria?”
Enquanto Albedo abaixou a cabeça e calmamente respondeu, Momonga trouxe um anel. Naturalmente, era um Anel de Ainz Ooal Gown.
“Você precisará deste item na sua posição como Supervisora Guardiã.”
“...Muito obrigada.”
Albedo pegou o anel graciosamente sem hesitar.
Sua reação foi tão diferente da de Mare que Momonga ficou um pouco desapontado. No entanto, ele imediatamente percebeu que estava enganado.
O canto da boca de Albedo estava se contraindo e ela estava desesperadamente tentando não deixar sua expressão mudar. Suas asas estavam tremendo e ela estava tentando o seu melhor para não as abrir. A mão que segurava o anel tremia fortemente. Até mesmo um idiota podia ver sua excitação.
“C-Continue seu bom trabalho. Demiurge, irei presenteá-lo em outra ocasião.”
“Eu entendo, Momonga-sama. Continuarei trabalhando com afinco no futuro para provar que sou digno de um anel tão poderoso.”
“Tenho certeza que sim. Existem alguns outros assuntos que devo cuidar. É melhor eu voltar ao Nono Andar quanto antes.”
Depois de ver Albedo e Demiurge abaixarem suas cabeças em resposta, Momonga ativou o efeito de teletransporte do Anel de Ainz Ooal Gown.
No instante anterior à mudança do cenário, Momonga pensou ter ouvido uma mulher gritando “É ISSOOOOOOO!” No entanto, ele achou que devia estar enganado, porque Albedo não poderia ter feito um som tão grosseiro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário