Overlord V01-16 (Confronto - Parte3)

 


“Atenção, hora de agir.”

 

Uma voz calma falou aos ouvidos de todos.

 

“A presa entrou na gaiola.”

 

O orador era um homem.

 

Ele não tinha características distintivas e não se destacava na multidão. No entanto, não havia emoção em suas escleras escurecidas e aparentemente havia uma cicatriz em seu rosto.

 

“Ofereçam vossa fé aos deuses.”

 

Todos começaram suas preces silenciosas, uma versão abreviada de suas orações habituais.

 

Eles precisavam dedicar tempo à oração, mesmo quando atuavam em outro país. Isso não era um sinal de complacência, mas sim um símbolo de sua fé em seus deuses.

 

Esses homens que ofereciam tudo à Teocracia Slane e aos deuses que eles reverenciavam, eram muito mais devotos do que o cidadão comum da Teocracia. Era por isso que eles podiam realizar atos cruéis sem a menor hesitação, e o porquê não sentiam culpa por fazê-lo.

 

Depois de suas orações, os olhos de todos os homens presentes eram tão duros e frios quanto o vidro.

 

“Começar.”

 

Com uma única palavra, eles cercaram o vilarejo de uma maneira que demonstrava o treinamento intensivo pelo qual passaram.

♦♦♦

Esses homens pertenciam ao grupo de operações secretas da Teocracia Slane. Embora sua reputação fosse difundida, pouco se sabia sobre seus membros. Eles pertenciam a uma das Seis Escrituras que respondiam diretamente aos Cardeais da Teocracia Slane. Eles são a Escritura da Luz Solar, cuja missão era exterminar os assentamentos demi-humanos.

 

No entanto, havia poucos desses homens, dentro das Seis Escrituras, eles eram os mais fervorosos em combate. Havia apenas cerca de 100 deles no total.

 

Isso porque os padrões de recrutamento para a Escritura da Luz Solar eram muito rigorosos.

 

A entrada exigia a habilidade de conjurar magias divinas de 3º nível, que era o mais alto nível de magia que os magic casters podiam alcançar. Além disso, os futuros recrutas precisavam estar em excelente condição física e tinham que possuir determinação imutável e fé profunda.

 

Em outras palavras, eles eram a elite dentre outros combatentes de elite.

 

O homem suspirou silenciosamente enquanto observava seus homens se dispersarem. Uma vez que eles se dispersaram para assumir suas posições, seria muito difícil ter certeza de seus movimentos. No entanto, ele não estava preocupado com o cerco habilidoso ao vilarejo.

 

O comandante da Escritura da Luz Solar, Nigun Grid Luin, só sentiu a paz de espírito com o pensamento de que o sucesso estava ao alcance de sua mão.

 

Os fiéis da Escritura da Luz Solar não estavam acostumados em operações clandestinas de longo prazo a céu aberto. Como resultado, eles perderam quatro chances de terminar a missão no passado. Eles foram extremamente cuidadosos cada vez que se aproximavam de Gazef e seus homens do Reino, a fim de evitar serem vistos. Se eles perdessem essa chance também, esses dias de rastreamento e perseguição se arrastariam sem parar.

 

“Da próxima vez... gostaria de pedir ajuda às outras equipes e deixar que façam parte do trabalho.”

 

Alguém respondeu as queixas de Nigun.

 

“Seria bom, mas sempre fomos especializados em extermínio, afinal.”

 

O orador era um dos homens que ficaram para proteger Nigun.

 

“Quero dizer, essa é uma missão estranha. Normalmente, teríamos apoio da Escritura da Flor do Vento para algo tão importante quanto isso.”

 

“Na verdade, não sei o porquê eles apenas deixaram ao nosso encargo dessa vez. Ainda assim, esta será uma boa experiência para nós. Podemos tomar isso como treinamento em infiltrar o território inimigo. Hm, pelo que sabemos, era isso que os nobres pretendiam.”

 

Nigun disse isso, mas ele estava muito ciente que outra missão desta natureza seria muito improvável.

 

As ordens que lhe haviam sido dadas foram “Assassinar o maior guerreiro do Reino, o homem cuja fama não respeitava fronteiras, um homem de poder incomparável, Gazef Stronoff”.

 

Este não era o tipo de tarefa que normalmente seria atribuída à Escritura da Luz Solar. Em vez disso, teria sido providenciado a unidade de operações especiais mais poderosa da Teocracia, a Escritura Preta, cujos membros tinham poder equivalente ao poder dos heróis. No entanto, não foi possível desta vez.

 

O motivo era confidencial, então ele não podia contar aos seus subordinados, mas Nigun sabia a verdade.

 

A Escritura Preta estava protegendo a relíquia sagrada “Keiseikeikoku” em preparação contra a ressurreição do Catastrophe Dragonlord, enquanto a Escritura da Flor do Vento estava ocupada perseguindo uma traidora que havia fugido com uma das relíquias da Princesa Miko. Nenhum deles teve tempo livre para ajudá-los.

 

Nigun inconscientemente tocou a cicatriz em sua bochecha.

 

Ele se lembrou da única vez no passado em que ele havia sido forçado a fugir com o rabo entre as pernas. O rosto daquela garota com uma espada amaldiçoada preta como a noite surgiu em sua mente.

 

Magia poderia ter facilmente curado a ferida sem deixar uma marca, mas ele tinha propositadamente deixado a cicatriz para gravar a lição daquela derrota humilhante em seu coração.

 

“...Aquela maldita Rosa Azul.”

 

A Rosa Azul era um grupo de aventureiras cidadãs do Reino, assim como Gazef. A sacerdotisa, em particular, foi quem mais provocou sua ira. Além de ser uma herege que adorava outro deus, ela interrompeu Nigun enquanto ele planejava atacar os demi-humanos. Seu maior sacrilégio foi acreditar que sua causa, a de defender aqueles monstros, era justa.

 

“...A humanidade é fraca e usa o que pode para se defender. Qualquer um que não saiba disso, é um tolo.”

 

Um dos subordinados parecia ter sentido a raiva ardendo nos olhos negros vidrados de Nigun e interveio:

 

“Mas, mas o Reino é tolo também.”

 

Nigun não respondeu, embora concordasse.

 

Gazef era muito forte, então, para enfraquecê-lo, eles tiveram que privá-lo de sua panóplia.

♦♦♦

O Reino estava dividido entre as facções dos Nobres e da Realeza. Desde que eles se opuseram a Gazef, protegido pela Facção Real, a Facção Nobre foi facilmente levada a tomar medidas políticas para eliminá-lo. Eles nem sequer pararam para considerar que o ímpeto por suas ações viria de uma potência estrangeira.

 

Gazef era um plebeu que subiu para seu status atual por força de sua esgrima, e então os nobres o desprezaram.

 

E isso levava a essa lógica conclusão.

 

O trunfo do Reino logo desapareceria por suas próprias mãos.

 

Essa era uma jogada extrema na visão de Nigun.

 

Eles — a Teocracia Slane — poderiam estar divididos em seis seitas, mas sempre que precisavam agir, eles o faziam como um só.

 

Uma razão para isso era porque todos respeitavam os deuses uns dos outros. A outra era porque todos sabiam que havia muitas tribos e monstros desumanos neste mundo, e que estariam em perigo se não trabalhassem juntos.

 

“...É por isso que todos devem trilhar juntos o caminho dos ensinamentos sacrossantos. A humanidade não deve lutar entre si, mas trabalhar de mãos dadas para criar um futuro melhor e mais brilhante.”

 

Gazef seria sacrificado por isso.

 

“...Conseguiremos matá-lo?”

 

Nigun não zombou do desconforto de seu subordinado.

 

Sua presa era o Capitão Guerreiro do Reino — o homem mais forte da região — Gazef Stronoff.

 

Eliminá-lo seria mais difícil do que atacar e exterminar os habitantes de uma enorme aldeia de Goblins. A fim de dissipar os medos de seus subalternos, Nigun respondeu calmamente:

 

“Vai ficar tudo bem. Neste momento, ele não possui nenhum dos Tesouros do Reino, aqueles que permitiam que ele sobrevivesse. Sem eles, matá-lo será fácil como cortar maçã... não, seria melhor dizer que sem eles, será a nossa única chance de matá-lo.”

 

O Capitão Guerreiro do Reino, Gazef Stronoff, era famoso como o mais forte lutador. Mas havia uma razão para essa reputação além de sua extraordinária esgrima.

 

Essa razão era as cinco relíquias do Reino. Embora apenas quatro fossem conhecidas, ele foi autorizado a usar todas.

 

As Gauntlets of Vitality, que faziam com que o usuário ficasse imune à fadiga. O Amulet of Immortality, que constantemente regenerava suas feridas. A Guardian Armor, feita de adamantite e encantada para defletir ataques críticos. Razor Edge, a espada criada e encantada para possuir o gume mais afiado, poderia cortar através da armadura como dito no provérbio “faca quente na manteiga”.

 

Mesmo Nigun não podia esperar triunfar em um ataque frontal contra Gazef Stronoff, cuja habilidade ofensiva e defensiva aumentava astronomicamente quando usava esses itens. Não, pode ser que nenhum humano pudesse derrotá-lo enquanto equipado. No entanto, ele não tinha esses tesouros consigo agora, então essa era uma grande chance para Nigun.

 

“Além disso... nós também temos um trunfo próprio. Esta é uma batalha que não podemos perder.”

 

Nigun deu um tapinha no peito com a mão leve.

 

Neste mundo, havia três tipos de itens mágicos que ficavam fora dos tipos e classificações usuais.

 

O primeiro tipo, eram as relíquias de 500 anos atrás, deixadas para trás pelos Oito Reis da Ganância que haviam conquistado o mundo em um instante.

 

Segundo tipo, vieram dos Dragões, que já foram os mestres do mundo antes de serem dizimados pelos Oito Reis da Ganância. Os Dragões mais poderosos, os Dragonlords, fizeram os tesouros dracônicos secretos.

 

E o terceiro tipo eram os principais pilares da Teocracia Slane, os artefatos deixados para trás quando os Seis Deuses invadiram o mundo 600 anos atrás.

 

Esses eram os três tipos.

 

O que Nigun tinha no bolso agora era um tesouro raro que poucas pessoas da Teocracia Slane possuíam. Em outras palavras, era a arma secreta de Nigun.

 

Nigun olhou para a faixa de metal em seu pulso. Números se projetavam de sua superfície, indicando que a hora marcada havia chegado.

 

“Então... que comece a operação.”

 

Nigun e seus subordinados começaram a lançar magias.

 

Eles convocaram os anjos do mais alto nível que sua magia permitiria.

♦♦♦

“Entendo... então realmente há pessoas nos cercando.”

 

Gazef espiou as pessoas que cercavam o vilarejo a partir do interior escuro da casa.

 

Ele podia ver três pessoas dentro de seu campo de visão. Estavam avançando lentamente em direção ao vilarejo, mantendo uma separação uniforme entre si.

 

Eles estavam desarmados e não estavam usando armaduras pesadas. No entanto, isso não significava que eles fossem ingênuos. Muitos magic casters não gostavam de tais equipamentos e preferiam equipamentos mais leves. Isto sugeriu que eles eram magic caster.

 

No entanto, foram os monstros alados flutuando ao lado deles que confirmaram suas vocações.

 

Anjos.

 

Anjos eram monstros convocados de outro mundo, e muitas pessoas — particularmente os cidadãos da Teocracia Slane — acreditavam que fossem mensageiros dos deuses. No entanto, os sacerdotes do Reino decidiram que esses seres chamados anjos, eram meramente monstros.

 

Mesmo essas disputas religiosas sendo parte da razão pela qual os países eram colocados uns contra os outros, Gazef sentiu que seu status como mensageiros divinos era secundário à sua força como monstros.

 

Para Gazef, anjos e demônios, tinham similaridades em seus níveis de força, eram mais fortes do que muitos outros monstros convocados usando um nível de magia similar. A maioria deles tinham habilidades especiais e alguns podiam até usar magia. De acordo com seus cálculos, eles eram inimigos problemáticos.

 

Claro, isso dependia do anjo em questão. Nem todos eles eram difíceis de derrotar.

 

No entanto, os anjos desta vez, com seus peitorais brilhantes e espadas flamejantes, eram de um tipo que era desconhecido para ele.

 

Ainz estava observando-os ao lado. Ele perguntou a Gazef, que não sabia de nada e não conseguia avaliar sua força:

 

“Quem são essas pessoas? O que eles querem? Eu não acho que deva haver algo de valor neste vilarejo...”

 

“Gown-dono, o senhor também não sabe? ...Bem, se não é riqueza que eles procuram, então só pode haver uma outra resposta.”

 

Ainz e Gazef olharam um para o outro.

 

“Eles realmente devem odiá-lo, Capitão Guerreiro-dono.”

 


“É por causa do cargo de Capitão Guerreiro. Mas... isso é preocupante. A julgar pela forma como o outro lado tem tantas pessoas que podem convocar anjos, eles devem ser da Teocracia Slane... e é claro que as pessoas que realizam esta operação devem ser uma unidade de operações especiais... as lendárias Seis Escrituras. Parece que, tanto em números quanto em capacidade, a oposição é superior a nós.”

 

Gazef abaixou os ombros, indicando a dificuldade em que se encontrava. Podia ter parecido apenas deprimido por fora, mas por dentro estava fervendo de raiva e pânico.

 

“Bem, eles certamente tiveram muito trabalho, usando a Facção Nobre para tirar meu equipamento. É problemático que um traidor permaneça na côrte, então acho que deve ser meu dia de sorte poder reconhecer sua vilania aqui. Ainda assim, eu não esperava que a Teocracia Slane se importasse comigo...”

 

Ele bufou.

 

Ele não tinha homens suficientes, estava mal equipado para uma batalha como essa e não tinha planos em mente. Em suma, ele não tinha nada. Embora, ainda possa haver um trunfo que ele poderia usar.

 

“...Aquilo é um Archangel Flame? Parece bastante semelhante, mas... o que um monstro como esse está fazendo aqui... poderia ter sido convocado por magia também? Isso significa quê...”

 

Gazef virou-se para olhar para os resmungos de Ainz. Com um olhar esperançoso no rosto, ele perguntou:

 

“Gown-dono, se estiver tudo bem com o senhor, estaria disposto a me deixar contratá-lo?”

 

Não houve resposta, mas Gazef podia sentir o peso do olhar de Ainz sob a máscara.

 

“Por favor, diga seu preço, garanto que será bem recompensado.”

 

“...Por favor, permita-me recusar.”

 

“...Até mesmo o empréstimo daquele cavaleiro que o senhor convocou já seria o bastante.”

 

“...Permita-me recusar isso também.”

 

“Entendo... então, e se eu o recrutasse de acordo com as Leis do Reino?”

 

“Essa seria a pior decisão que poderia tomar... Eu não planejei dizer palavras tão duras, mas se insistir em usar a autoridade do Reino para me recrutar, então eu seria compelido a resistir um pouco.”

 

Os dois olharam sem palavras um para o outro. O primeiro a desviar os olhos foi Gazef.

 

“...Isso seria assustador de fato. Seríamos aniquilados antes mesmo de cruzar as espadas com os cavaleiros da Teocracia Slane.”

 

“Aniquilados... bem, isso é uma boa piada. Mas fico feliz que aceite minha decisão.”

 

Gazef estreitou os olhos e olhou para Ainz, cuja cabeça assentiu em agradecimento.

 

Suas palavras agora a pouco não eram uma piada, os instintos de Gazef lhe disseram. Se tornar inimigo desse magic caster seria um erro fatal.

 

Diante desse perigo ameaçador, seus instintos eram mais confiáveis do que seu intelecto escasso.

 

Quem é ele? De onde ele veio?

 

Enquanto Gazef pensou, ele olhou para a máscara estranha de Ainz. O que teria sob a máscara? Era alguém que ele conhecia? Ou—

 

“O que está errado? Há algo na minha máscara?”

 

“Ah não. Eu simplesmente senti que a máscara é muito especial. Já que essa máscara é usada para controlar aquele monstro... então deve ser um item mágico muito poderoso... estou certo?”

 

“Bem, sobre isso... devo dizer que é um item muito raro e valioso. Poderia até dizer que é único.”

 

Possuir um item mágico poderoso implicava que o possuidor era um indivíduo habilidoso. Por essa lógica, Ainz seria um magic caster muito talentoso. Gazef ficou um pouco triste por não conseguir garantir sua ajuda.

 

Embora parte dele esperasse que, como aventureiro, Ainz aceitasse esse pedido.

 

“...Vejo que não faz sentido continuar falando sobre isso. Então, Gown-dono, por favor, cuide-se. Mais uma vez, obrigado por salvar este vilarejo.”

 

Gazef removeu sua luva de metal e apertou a mão de Ainz. Originalmente, Ainz estava pensando em remover sua própria Járngreipr para retornar a cortesia, mas no fim, ele não o fez. Ainda assim, Gazef não prestou atenção. Ele segurou a mão de Ainz com força e disse:

 

“Eu sou verdadeiramente, profundamente grato ao senhor por proteger esses aldeões inocentes de serem mortos. Também... Eu sei que é muito egoísta da minha parte e eu não tenho autoridade para obrigar o senhor a fazer nada... mas eu espero que possa proteger os aldeões aqui, apenas mais uma vez. No momento eu não tenho nada para oferecer em troca, mas por favor, independentemente do que aconteça, atenda meu pedido... eu imploro.”

 

“Sobre isso...”

 

“Se alguma vez visitar a Capital Real, eu darei tudo o que o senhor desejar. Juro isso em meu nome, o nome de Gazef Stronoff.”

 

Gazef soltou a mão de Ainz, e começou a genuflectir, mas Ainz estendeu a mão para detê-lo.

 

“...Não há necessidade de ir tão longe... Muito bem, vou proteger os aldeões. Juro isso pelo nome de Ainz Ooal Gown.”

 

Depois de ouvir Ainz jurar pelo seu nome, Gazef deu um suspiro de alívio.

 

“Muito obrigado, Gown-dono. Agora eu não tenho mais nada para me preocupar. Tudo o que preciso fazer agora é focar o inimigo diante de mim!”

 

“...Antes disso, por favor, leve isso com você.”

 

Ainz pegou um item e entregou ao sorridente Gazef. Era uma estatueta pequena, estranhamente esculpida. Não parecia haver nada de especial nisso. Contudo—

 

“Um presente vindo de alguém como o senhor? Então eu vou aceitá-lo de bom grado. Bem, Gown-dono, o tempo não espera ninguém, devo partir imediatamente.”

 

“...Não vai esperar até o anoitecer antes de sair?”

 

“A oposição deve ter magias como 「Dark Vision」 e coisas do tipo, então a luta noturna não nos dará vantagem, não consigo imaginar como isso os prejudicaria. Também... também precisamos mostrar ao senhor como sobrepujamos, ou falhamos diante dessa situação.”

 

“Entendo. Como esperado do Capitão Guerreiro do Reino, sua percepção perspicaz é realmente digna de elogios. Então, desejo-lhe tudo de melhor, Capitão Guerreiro-dono.”

 

“E desejo que faça uma viagem segura para casa, Gown-dono.”

♦♦♦

Ainz observou silenciosamente as costas de Gazef encolhendo-se ao longe enquanto se afastava. Embora seu mestre parecesse estar pensando em alguma coisa, Albedo não perguntou mais nada.

 

“...Haa ...quando vi os humanos aqui pela primeira vez, não pude deixar de pensar neles como insetos... mas depois de falar com eles, passei a gostar deles, como animaizinhos.”

 

“É por isso que o senhor jurou em seu nome glorioso, protegê-los?”

 

“Talvez... não, eu deveria dizer que foi em resposta a como ele bravamente cavalga até a morte...”

 

Ainz admirou isso.

 

Ele admirava a determinação de Gazef, a força de vontade que ele não tinha.

 

“...Albedo, ordene aos servos que procurem os emboscadores que nos rodeiam e os abatam assim que forem encontrados.”

 

“O farei imediatamente... Ainz-sama, o Chefe do Vilarejo e os outros estão aqui.”

 

Quando Ainz se virou para olhar Albedo, ele avistou o Chefe e dois outros aldeões chegando.

 

Eles ficaram ao lado de Ainz, ofegavam pesadamente. Cheio de tensão e desconforto, o Chefe falou imediatamente, como se respirar fosse um luxo que ele não podia pagar.

 

“Ainz-sama, o que devemos fazer? Por que o Capitão Guerreiro nos deixou para trás e não nos protegeu?”

 

As palavras do Chefe estavam cheias de medo, mas também havia uma pitada de raiva.

 

“...Ele está fazendo o que deve ser feito, Chefe-dono... O inimigo está de olho no Capitão Guerreiro-dono, e se ele ficar aqui, o vilarejo se tornará um campo de batalha. O inimigo também não deixará vocês fugirem. Ele deixou este lugar por causa de vocês.”

 

“Entendi, então foi por isso que o Capitão Guerreiro saiu... Então, devemos ficar aqui?”

 

“Claro que não. Eles virão massacrar o vilarejo depois que terminarem com o Capitão Guerreiro-dono. Enquanto permanecerem no cerco, não terão para onde fugir. No entanto... enquanto o inimigo estiver lidando com o Capitão Guerreiro-dono, vocês terão uma chance de fugir. E deveriam aceitá-la.”

 

Então foi por isso que o Capitão Guerreiro saiu com seus homens sem hesitar. Ele planejava usar a si mesmo como isca e atrair o inimigo para longe com um ataque frontal.

 

O Chefe abaixou a cabeça silenciosamente ao saber das pequenas chances do Capitão Guerreiro. O homem estava indo para a morte só para dar-lhes a chance de fugir. Ele amaldiçoou sua incapacidade de entender o sacrifício do homem, e como ele confundiu a coragem com egoísmo e ousou difamar Gazef por isso.

 

“Não posso acreditar que tirei conclusões precipitadas e culpei erroneamente um bom homem... então, Ainz-sama, o que devemos fazer agora?”

 

“O que quer dizer com isso?”

 

“Sempre vivemos perto da floresta, não havia garantias, mas nenhum monstro atacou nosso povo. E essa sorte cegou a todos e pensamos que este lugar era seguro, então nem cogitamos nada pra defesa. E agora, não apenas perdemos nossos amigos e entes queridos, mas até nos tornamos um fardo...”

 

Agora não era apenas o chefe, mas os aldeões atrás dele que tinham olhares de arrependimento em seus rostos.

 

“Isso não teria sido de grande ajuda. Seus atacantes eram guerreiros de elite. Se tivessem tentado resistir, poderiam ter morrido antes da minha chegada.”

 

Ainz estava tentando consolar os aldeões, mas nenhum deles se sentiu confortado. O fato era que não importava as lindas palavras que ele dissesse, a perda dos aldeões era uma tragédia inegável. Tudo o que eles podiam esperar era tempo para curar suas feridas.

 

“Chefe-dono, não há mais tempo. Vocês devem se mover rapidamente para não desperdiçar a determinação do Capitão Guerreiro.”

 

“Entendo... então, Ainz-sama, o que pretende fazer?”

 

“...Eu vou ficar aqui e observar a situação, e então aguardem um tempo, eu escoltarei todos vocês.”

 

“Estamos sempre criando problemas para o senhor, Ainz-sama, nós realmente...”

 

“...Não fique pensando essas coisas. Foi porque eu fiz uma promessa ao Capitão Guerreiro-dono... em todo caso, reúna todos os aldeões em uma das casas maiores. Vou protegê-los uma vez mais com a minha magia.”

Yokai POP
Yokai POP

Dividindo com o mundo as histórias que eu gosto.

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