Overlord V01-11 (A Batalha no Vilarejo Carne - Parte 2)

 


Estavam perto da periferia do vilarejo.

 

Enquanto corria, Enri ouviu o som do bater de metais atrás dela. Era um som rítmico.

 

Ela olhou para trás com esperança em seu coração — como esperado, foi o pior cenário possível. Um cavaleiro perseguia as irmãs Emmot.

 

Só mais um pouco.

 

Enri respirou fundo e se forçou a seguir em frente. Ela não tinha energia para desperdiçar em qualquer outra coisa.

 

Sua respiração era rápida, seu coração estava batendo forte o suficiente para que ela sentisse que estouraria, e suas pernas tremiam poderosamente. Não tardaria muito, ela estaria completamente exausta e entraria em colapso e não se levantaria.

 

Se estivesse sozinha, talvez ela pudesse ter perdido a força para correr e desistido.

 

No entanto, ela estava segurando a mão de sua irmãzinha. Isso a encheu de energia para fugir.

 

A verdade era que o desejo poderoso de salvar sua irmã, mantinha Enri firme até agora.

 

Enquanto corria, ela olhou para trás novamente.

 

A distância entre ela e seu perseguidor não havia mudado. Mesmo com armadura, a velocidade do homem não diminuiu. Essa era a diferença entre um guerreiro treinado e uma garota do vilarejo.

 

O suor escorria pelas costas de Enri tentando esfriar seu corpo. Se isso continuasse... ela não seria capaz de escapar com a irmã.

 

Solte ela.

 

Essas palavras ecoaram em sua cabeça.

 

Talvez você possa escapar sozinha.

 

—Quer morrer aqui?

 

—Pode ser mais seguro se vocês se separarem.

 

“Cale a boca, cale a boca, cale a boca!”

 

Enri gritou para si mesma por aqueles pensamentos através dos dentes cerrados.

 

Ela seria o pior tipo de irmã.

 

Por que sua irmãzinha estava segurando as lágrimas? Foi porque acreditava em sua irmã mais velha. Ela acreditava que sua irmã mais velha a salvaria.

 

Enquanto segurava a mão de sua irmãzinha — aquela mão que lhe dava forças para fugir e lutar — Enri se fortaleceu e endureceu sua determinação.

 

Ela nunca abandonaria sua irmã.

 

“Ah!”

 

A irmã mais nova de Enri estava tão cansada quanto a própria Enri. Então, ela tropeçou de repente, ganiu e quase caiu.

 

A razão pela qual as duas não caíram, foi porque estavam segurando firmemente na mão uma da outra. No entanto, a quase queda de Nemu fez com que Enri perdesse o ritmo.

 

“Rápido!”

 

“Ah, hm!”

 

Embora ela quisesse continuar correndo, sua irmãzinha estava começando a ceder, ela não conseguia correr tão rápido. Enri queria carregar Nemu e correr, mas os sons de metal se aproximando encheram Enri de medo.

 

O cavaleiro ao lado dela segurava uma espada manchada de sangue. Além disso, sua armadura e elmo estavam cobertos por respingos de sangue.

 

Enri empurrou Nemu para trás de seu corpo e olhou com raiva para o cavaleiro.

 

“É inútil lutar.”

 

Não havia compaixão nessas palavras. Em seu lugar só havia zombaria. Essas palavras implicavam independentemente do quanto corresse, elas não escapariam da morte.

 

A raiva no coração de Enri transbordou; Por que tá fazendo uma coisa dessas!?

 

O cavaleiro levantou a espada para Enri, que havia parado de se mover. No entanto, pouco antes de poder descê-la—

 

“Não me menospreze!”

 

“Gwargh!”

 


—Enri socou com força o elmo de metal do cavaleiro. Esse golpe carregado de raiva a encheu com o desejo de proteger sua irmãzinha. Ela não se importava que estivesse golpeando o metal com a mão nua. Ela socou com toda a força que podia.

 

Houve o som de algo como ossos quebrando e logo a dor se espalhou pelo corpo de Enri. O cavaleiro se desequilibrou sob a força do poderoso golpe.

 

“Vamos!”

 

“Sim!”

 

Enri reprimiu a dor e voltou a fugir — e, de repente, um rasgo de calor escaldante transbordou em suas costas.

 

“—Grg!”

 

“Desgraçada!”

 

Uma garota do vilarejo socando um cavaleiro no rosto o deixou envergonhado, consequentemente foi o motivo de sua raiva.

 

Ele estava balançando sua espada descontroladamente, como se houvesse perdido a calma. Como resultado, o primeiro golpe não causou um ferimento mortal. No entanto, esse foi o fim da sua sorte. Enri ficou ferida e o cavaleiro ficou enfurecido. O próximo golpe certamente lhe tiraria a vida.

 

Enri olhou para a espada longa levantada diante dela.

 

O pânico estava escrito em todo o seu rosto enquanto ela observava o brilho malevolente da espada terrivelmente rápida, e ela percebeu duas coisas.

 

A primeira foi que sua vida terminaria em poucos segundos. A segunda era que uma garota comum como ela não tinha como lutar contra esse destino.

 

A ponta da espada estava manchada com um pouco do sangue fresco. Como seu coração batia mais rápido, a dor se espalhou por seu corpo, junto com o calor escaldante de sua ferida.

 

A dor que ela nunca sentira antes a encheu de medo e a fez querer vomitar.

 

Talvez o vômito fosse limpar a sensação de náusea que a preenchia.

 

No entanto, Enri estava procurando uma maneira de viver, então não teve tempo para vomitar.

 

Embora ela quisesse abandonar sua luta, havia uma razão pela qual Enri não desistira até agora. Este seria o calor pressionando seu peito — sua irmã mais nova.

 

Preciso salvar minha irmã.

 

Esse único pensamento impediu que Enri cedesse.

 

Em contraste, o cavaleiro armado na frente dela parecia estar zombando de sua determinação.

 

A espada até então erguida, desceu.

 

Talvez fosse porque todas as suas energias estavam concentradas aqui, ou porque seu cérebro estava trabalhando demais, ou porque ela estava entre a vida e a morte, mas Enri sentiu que o tempo estava passando muito devagar e tentou desesperadamente pensar em alguma maneira de salvar sua irmãzinha.

 

No entanto, ela não conseguia pensar em nada. Tudo o que podia fazer era usar seu próprio corpo como escudo, deixando a lâmina penetrar profundamente em si mesma, na esperança de ganhar tempo para sua irmã escapar.

 

Contanto que tivesse força, ela seguraria firmemente o cavaleiro ou a espada que ele enfiasse em seu corpo, seguraria firme e sem soltar até que a chama de sua vida se dissipasse.

 

Se pudesse fazer isso, ela aceitaria alegremente seu destino.

 

Enri sorriu, para um mártir que aceitara ser.

 

Como uma irmã mais velha, isso era tudo que ela podia fazer por Nemu. O pensamento fez Enri sorrir.

 

Poderia Nemu escapar sozinha do inferno que o Vilarejo Carne havia se tornado?

 

Mesmo se ela fugisse para a floresta, poderia correr diretamente para as patrulhas de soldados. No entanto, enquanto ela pudesse sobreviver, havia a possibilidade de escapar. A fim de dar a sua irmãzinha a chance de sobreviver, Enri apostaria sua vida — não, ela apostaria tudo.

 

Dito isso, a idéia de ser ferida novamente a assustou, então ela fechou os olhos. Neste mundo das trevas, ela se preparou para a dor que viria—

Yokai POP
Yokai POP

Dividindo com o mundo as histórias que eu gosto.

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