A pressão esmagando suas cabeças no chão de repente desapareceu. Mesmo após a partida do mestre de seus criadores, ninguém levantou a cabeça. Depois de um tempo, alguém suspirou de alívio. A atmosfera tensa se foi.
A primeira a levantar-se foi Albedo. Seu vestido branco estava manchado onde seu joelho havia tocado o chão, mas isso não a incomodava. Ela bateu as asas para tirar a sujeira de suas penas.
Depois de ver Albedo se levantar, os outros seguiram o exemplo, embora ninguém ousasse falar.
“Isso, isso foi assustador, Onee-chan.”
“Sim, pensei que ia desmaiar.”
“Como esperado de Momonga-sama, pensar que sua presença teria um efeito tão grande em nós, Guardiões de Andar...”
“Embora. Eu. Soubesse. Que. Era. Um. Ser. Supremo, Eu. Não. Esperava. Que. Fosse. Poderoso. A. Esse. Ponto.”
Todos os Guardiões começaram a compartilhar suas impressões de Momonga.
A aura que Momonga emitiu foi a fonte do poder que esmagou os Guardiões no chão.
「Despair Aura」.
Além de infligir um efeito de medo, isso poderia reduzir os atributos de suas vítimas. Normalmente, isso não afetaria NPCs de nível 100, mas nessa ocasião, seus efeitos foram fortalecidos pelo Cajado de Ainz Ooal Gown.
“Momonga-sama demonstrou o ar de autoridade que lhe assegura o direito inato de governar.”
“De fato. Antes de afirmarmos nossas posições, Momonga-sama não exerceu seu poder. No entanto, uma vez que nós assumimos os deveres de Guardiões de Andar, ele exibiu uma fração de seu incrível poder para nós.”
“Em. Outras. Palavras... Momonga-sama. Revelou. Suas. Habilidades. Como. Governante. Em. Resposta. A. Nossos. Votos. De. Lealdade.”
“Certamente faz sentido.”
“Ele não irradiou aquela aura quando estava com a gente. O Momonga-sama foi gentil e até deu algo pra beber quando a gente ficou com sede.”
As palavras de Aura fizeram os outros Guardiões emitirem um ar de tensão. Uma atmosfera de ciúmes tão condensada que era quase visível a olho nu. Albedo foi a mais afetada. Seus punhos fechados estremeceram e suas unhas ameaçaram rasgar o tecido de suas luvas.
Os ombros de Mare tremeram, e então seus olhos se arregalaram:
“Esse, esse deve ter sido o verdadeiro poder do Momonga-sama, o governante da Grande Tumba de Nazarick. Foi fantástico!”
Isso mudou o clima instantaneamente.
“Exatamente! Ele nos mostrou sua habilidade como um governante absoluto em resposta aos nossos sentimentos... como esperado do nosso criador. O zênite dos Quarenta e Um Seres Supremos, o mestre gentil que permaneceu conosco até o fim.”
Ouvindo o discurso de Albedo, todos os Guardiões mostraram expressões de adoração. Enquanto Mare só tinha uma expressão de alívio no rosto.
Nada seria capaz de torná-los mais felizes do que testemunhar o verdadeiro poder dos 41 que os criaram e que eles juraram servir com lealdade absoluta.
Os Guardiões, não, todas as entidades criadas pelos Seres Supremos não queriam nada além de serem úteis aos seus criadores de alguma forma. A próxima melhor coisa seria receber a confiança deles e ser tratado como um servo útil.
Essa era uma verdade simples e natural.
Para aqueles cujo propósito original era servir ao seu criador, isso não poderia torná-los mais felizes. Então, como se para limpar essa atmosfera eufórica, Sebas disse:
“Então eu vou me retirar, embora eu não saiba onde o Momonga-sama foi, é natural que eu vá para o seu lado.”
O ciúme estava escrito em todo o rosto de Albedo, mas ela anulou seus sentimentos e respondeu:
“Claro, Sebas. Sirva o Momonga-sama corretamente e não o desrespeite. Relate-me se acontecer alguma coisa. Especialmente se o Momonga-sama me convocar, você deve me avisar imediatamente. Todo o resto é de importância secundária!”
Ouvindo aquelas palavras, Demiurge mostrou uma expressão de pesar.
“Mas se ele me desejar em seu quarto, você deve informá-lo que demorarei um pouco, a fim de tomar banho e me limpar para ele. Claro, se ele quer que eu vá imediatamente até ele, tudo bem também. Afinal de contas, eu faço o meu melhor para manter-me limpa, e minhas roupas já foram selecionadas para que eu possa atender ao seu chamado sempre que ele quiser. De todo modo, os desejos de Momonga-sama sempre virão primeiro—”
“—Já entendi, Albedo. Se eu perder muito tempo aqui, não terei o suficiente para servir adequadamente o Momonga-sama, o que seria desrespeitoso. Portanto, perdoe minha partida abrupta, aqui me despeço. Guardiões, com sua licença.”
Depois de se despedir dos Guardiões que estavam de olhos arregalados e de boca aberta ante as declarações de Albedo. Sebas saiu apressadamente para bem longe, como se quisesse deixar Albedo (que estava se preparando para um longo monólogo) o mais rápido possível.
“Que inusitado... está bem calmo por aqui. Shalltear, aconteceu algo?”
Depois da pergunta de Demiurge, todos os olhos foram para Shalltear. Ela ainda estava de joelhos.
“Qual. O. Problema, Shalltear?”
Shalltear levantou lentamente a cabeça em resposta. Um olhar enevoado como se ela tivesse acabado de acordar.
“...O quê... Aconteceu?”
“Ah, ser exposta à incrível presença do Momonga-sama é muito excitante, não pude me conter... vou precisar vestir outra calcinha ~arinsu...”
—Silêncio—
Todos se olharam sem saber o que dizer. Os Guardiões refletiram que Shalltear era, de longe, a com maior número de fetiches entre eles, e que um dos ditos fetiches era a necrofilia. Eles se entreolharam enquanto pensavam sobre isso, apesar de Mare não ter entendido e estar completamente confuso. Não, um dos Guardiões não se contentou em simplesmente sacudir a cabeça e suspirar.
E essa Guardiã era — Albedo.
O ciúme que surgia fez com que Albedo perdesse o controle e dissesse:
“Sua puta!”
Shalltear sentiu a hostilidade de Albedo quando ouviu aquelas palavras desdenhosas. Seus lábios se curvaram em hostilidade e ela respondeu com um sorriso encantador.
“Hã? Tendo o Momonga-sama, o mais belo dos Seres Supremos, nos abençoando com sua energia, é uma recompensa ~arinsu! Qualquer uma que não fique molhadinha deve ter algum problema de cabeça! Mesmo que pareça pura, vai tentar me convencer que não tem nenhum desejo carnal!? Sua Gorila Bocuda!”
“Sua Boca de Lampreia!”
As duas se encararam. Os Guardiões não sabiam se lutariam como resultado disso, mas o modo como elas se encaravam era muito inquietante.
“Minha aparência foi criada pelos Seres Supremos ~arinsu! Está descontente com isso?”
“O mesmo vale para mim, sabia!?”
Shalltear lentamente se levantou, e as duas se aproximaram. Sem nunca quebrar o contato visual. Por fim, as duas chegaram tão perto que colidiram uma com a outra.
“Não pense que você ganhou apenas por ser a Supervisora Guardiã e poder ficar ao lado do Momonga-sama ~arinsu. Se você realmente pensa assim, eu vou rir de sua inocência ~arinsu.”
“Hmph. É isso mesmo. Quando estiver em um lugar distante, eu vou entrar e conseguir uma vitória completa.”
“...O que quer dizer com vitória completa? Ensine-me, ó, Supervisora Guardiã-sama.”
“Já que é uma puta, você deve estar ciente do o que isso significa.”
Ao passar de sua troca de farpas verbais, nenhuma delas havia desviado o olhar uma da outra. Elas simplesmente olhavam nos olhos uma da outra com uma expressão vazia em seus rostos.
Em um piscar de olhos, Albedo desdobrou suas asas em tom de ameaça. Uma névoa negra envolveu Shalltear, como se respondendo na mesma moeda.
Embora as duas insultassem uma à outra intensamente, elas nunca quebraram contato visual. Elas só vagamente se encararam.
“Ah — Aura, problemas com as mulheres devem ser deixados aos cuidados de mulheres. Se acontecer alguma coisa mais séria, eu venho impedi-las, avise-me se for o caso, tudo bem?”
“Ei, qual é, Demiurge! Tá mesmo planejando jogar tudo nas minhas costas?”
Demiurge simplesmente acenou preguiçosamente enquanto se afastava do par briguento. Cocytus e Mare deram um passo para trás também. Ninguém queria ficar envolvido na discussão.
“Lamentável... Elas. Têm. Que. Discutir. Sobre. Esse. Tipo. De. Coisa?”
“Pessoalmente, eu estou muito interessado no resultado.”
“Como assim, interessado no resultado, Demiurge?”
“Eu me refiro ao aumento em nosso poder de luta, o futuro de Nazarick... e assim por diante.”
“De-Demiurge-san, e o que isso quer dizer?”
“Bem...”
Demiurge ponderou como ele deveria responder à pergunta de Mare. Por um momento, um impulso maligno tomou conta de sua mente e ele pensou em infundir o inocente Mare com conhecimento adulto, mas ele prontamente descartou essa linha de pensamento.
Por Demiurge ser um demônio, ele era cruel e implacável, mas isso só se aplicava a pessoas de fora de Nazarick. Para Demiurge, as criações dos 41 Seres Supremos eram seus companheiros.
“Qualquer grande líder requer um sucessor, não? Momonga-sama pode ter ficado conosco até o fim, mas se ele perder o interesse em nós um dia, ele poderá partir para outro lugar assim como os outros Seres Supremos. Assim, existe a necessidade de um sucessor há quem possamos prometer nossa lealdade.”
“Er—Qu-Quer dizer que alguma delas dará à luz... A-Ao herdeiro do Momonga-sama?”
“Que. Desrespeitoso... Como. Guardiões. Nós. Estamos. Aqui. Para. Servir. O. Momonga-sama. Fielmente, Assim. Ele. Pode. Permanecer. Sem. Preocupações—”
Demiurge interrompeu Cocytus:
“Eu concordo com você, Cocytus. Mas você não deseja prometer sua lealdade ao herdeiro de Momonga-sama?”
“Bem... É. Claro. Que. Eu. Adoraria. Jurar. Minha. Lealdade. Ao. Herdeiro. Do. Momonga-sama.”
Cocytus começou a imaginar-se correndo com o dito herdeiro em seus ombros.
Então ele começou a imaginar-se ensinando-lhe esgrima, desembainhando sua espada para defender o Jovem Mestre, e até mesmo ouvindo o Jovem Mestre dando-lhe ordens.
“...Ah. Maravilhoso! Maravilhoso! Uma. Visão. Maravilhosa! Ojisan...Ojisan...”
Um pouco amofinado, Demiurge desviou os olhos de Cocytus, que estava completamente imerso imaginando-se como um velho tio, servindo fielmente o herdeiro de Momonga.
“Bem, deixando isso de lado, estou bastante interessado em saber como nossos filhos podem ser úteis no fortalecimento da Grande Tumba de Nazarick. Que tal, Mare, quer fazer uma criança?”
“Er, eh?”
“Ainda assim, você não tem um par... se houver Humanos, Elfos Negros, Elfos da Floresta ou espécies semelhantes por aqui, eu irei capturar um para você, o que me diz?”
“Eh? Ehhhhhh?”
Depois de pensar um pouco, Mare assentiu e disse:
“Se, se for de ajuda ao Momonga-sama... eu estou disposto a contribuir. Mas como vou ter filhos?”
“Bem, eu vou ensinar isso quando chegar a hora. Mas se você decidir experimentar alguns experimentos de reprodução, Momonga-sama pode repreendê-lo. Afinal, os custos operacionais de Nazarick são perfeitamente equilibrados.”
“Isso é verdade. Ouvi dizer que todos os subalternos foram criados após cálculos cuidadosos de um dos Seres Supremos... se aumentarmos nossos números de maneira descuidada, seremos repreendidos. Eu não quero ser repreendido pelo Momonga-sama...”
“Claro, eu não quero ser repreendido pelos Seres Supremos... se eu pudesse montar uma fazenda do lado de fora de Nazarick...”
Enquanto Demiurge pensava nisso, ele decidiu mencionar a única coisa que ninguém tinha questionado anteriormente:
“Ah, sim... Mare, por que está vestido como uma menina?”
Mare segurou sua minissaia para esconder as pernas depois que Demiurge fez sua pergunta.
“Esta foi a decisão da Bukubukuchagama-sama. Ela disse que isso era chamado de Trap, então não deve ter nada a ver com o meu gênero.”
“Oh, então essa foi a decisão da Bukubukuchagama-sama. Bem, de todo modo, essas roupas ficam bem em você... será que todos os meninos devem se vestir dessa maneira?”
“Eu... eu não sei sobre isso.”
Mesmo que os 41 Seres Supremos já não estavam presentes, mesmo assim, a menção de seus nomes ainda era digna de louvor. Ou melhor dizendo, na Grande Tumba de Nazarick, Mare estava vestido como deveria, e ninguém além de outro Ser Supremo poderia mudar sua vestimenta.
“...Eu me pergunto se eu deveria falar com o Momonga-sama sobre isso. Talvez todos os meninos devessem estar vestidos assim. Enfim... Cocytus, é hora de acordar.”
Depois de ouvir as palavras de seu colega, Cocytus sacudiu a cabeça várias vezes, mas o tom de alegria ainda persistia em sua voz.
“Ah... Que. Visão. Maravilhosa, Verdadeiramente. Era. Tudo. Que. Eu sempre. Desejei. Sonhar.”
“Isso é... bem então, isso é bom... Albedo e Shalltear ainda estão brigando?”
Rapidamente desviou o olhar para observar. No entanto, quem trouxe a resposta a Demiurge foi Aura, que parou ao seu lado com uma aparência cansada.
“Elas se... Entenderam. Mas neste momento, eles estão discutindo sobre...”
“A questão de quem deve ser a esposa oficial.”
“Seria estranho o governante da Grande Tumba de Nazarick ter apenas uma esposa. A questão agora é quem é digna de ser a esposa oficial de Momonga-sama...”
“...Embora essa seja uma questão bastante interessante, provavelmente devemos discutir isso mais tarde. Tudo bem, Albedo, você não vai nos dar nossas ordens? Ainda há muitos problemas para serem resolvidos.”
“Tem razão. Emitirei as ordens a seguir. Shalltear, discutiremos este assunto mais tarde. Precisamos dedicar mais tempo para chegar a uma conclusão.”
“Eu não tenho objeções, Albedo. Nenhum outro assunto é mais digno do nosso tempo ~arinsu.”
“Muito bem. Então, vamos passar para os nossos planos futuros.”
Vê-la retomar seu papel como a pessoa responsável, fez os Guardiões curvarem a cabeça em saudação, mas sem genuflectir.
É claro que eles tinham que mostrar seu respeito à Supervisora Guardiã, Albedo. Mas ela não era a mestra deles. Embora devessem respeitar Albedo como sua Supervisora, eles não se ajoelharam diante dela. Durante a criação dos Guardiões, os 41 Criadores deram a Albedo o mais alto posto e deram-lhe poder sobre os outros Guardiões. Enquanto ela estivesse no comando, todos os outros Guardiões seguiriam suas ordens e prestariam respeito. De sua parte, Albedo não estava zangada com isso, porque sabia que esse era o curso de ação mais correto.
“Primeiramente—”

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