Momonga saiu da sala chamada de A Távola Redonda.
Qualquer membro da guilda usando o anel da guilda entraria automaticamente nesta sala, a menos que houvesse circunstâncias especiais. Se houvesse quaisquer outros membros de volta, eles definitivamente apareceriam aqui. No entanto, Momonga sabia muito bem que os outros membros não voltariam aqui novamente. Durante os últimos momentos da Grande Tumba de Nazarick, Momonga foi o único que restara.
Reprimindo suas emoções turbulentas, Momonga entrou silenciosamente em um generoso hall de entrada. Um mundo de grandeza e brilho, que lembrava um enorme castelo revestido de mármore.
Suspenso no alto teto, lustres uniformemente colocados poderiam ser vistos emitindo um brilho suave e quente. O piso liso do largo corredor refletia as luzes dos lustres acima que brilhavam luminosamente como um mosaico de estrelas brilhantes. Se as portas presentes unilateralmente ao longo do corredor fossem abertas, a mobília de luxo no interior dos quartos atrairia os olhos de muitos.
Se os jogadores que ouviram o nome de Nazarick viessem aqui, eles teriam sido atordoados com certeza pelo fato de que esses belos pontos turísticos existiam em um lugar conhecido por sua infâmia.
Afinal, a Grande Tumba de Nazarick superou a maior ofensiva militar organizada por jogadores na história do servidor. Uma ofensiva de oito guildas, guildas afiliadas, jogadores mercenários e NPCs mercenários, um total de 1500, tentaram invadir este lugar e foram aniquilados. Esse evento transformou o local em uma lenda.
♦♦♦
A Grande Tumba de Nazarick tinha sido uma dungeon de seis andares, mas foi dramaticamente alterada depois que a Ainz Ooal Gown assumiu o controle.
Atualmente, se tornou uma dungeon de dez andares e cada andar possui um tema único.
O 1º ao 3º Andar foram modelados para serem as Catacumbas. O 4º Andar tornou-se o Lago Subterrâneo. O 5º Andar se tornou a Geleira. O 6º Andar a Selva. O 7º Andar se tornou Lava. O 8º Andar se tornou a Região Desértica. E do 9º ao 10º Andar o reino dos deuses — em outras palavras, a base da Ainz Ooal Gown, que havia ficado entre as dez primeiras dentre as milhares de guildas de YGGDRASIL. Se tornaram as Suítes Reais e o Salão do Trono, respectivamente.
♦♦♦
Os passos de Momonga ecoavam no corredor das Suítes Reais, seguido pelo bater de seu cajado. Depois de algumas voltas ao redor dos cantos do amplo corredor, Momonga viu uma mulher longe se movendo em direção a ele.
Ela tinha um cabelo loiro até aos ombros e características bem definidas.
Ela estava vestindo uma roupa de empregada doméstica, incluindo um grande avental e uma longa saia. Medindo cerca de 170 centímetros, ela tinha um corpo esbelto com seios fartos o bastante para quase não serem contidos em sua vestimenta. No geral, ela passava uma impressão virtuosa e elegante.
Enquanto se aproximavam, a empregada deu um passo para o lado e fez uma profunda reverência para Momonga. Em resposta, ele levantou a mão ligeiramente.
A expressão da empregada doméstica não se alterou; seu rosto estava mostrando a mesma expressão séria exatamente como antes. As expressões faciais não se alteravam em YGGDRASIL. No entanto, havia uma diferença entre as expressões imutáveis de jogadores e esta empregada. A empregada era uma “Non-Player Character” (NPC). Dentro do jogo, essas inteligências artificiais só se movem de acordo com a programação. Em outras palavras, elas eram o mesmo que manequins em movimento e até mesmo sua reverência para Momonga foi apenas uma ação pré-programada.
Sua saudação mais cedo poderia ser vista como um desperdício de tempo, mas Momonga tinha uma razão para não as tratar com desrespeito.
Todas as 41 empregadas NPCs que trabalham na Grande Tumba de Nazarick foram baseadas em diferentes ilustrações de um membro, que tinha vivido de seu trabalho artístico e agora era um mangaká em uma revista mensal de mangás.
Momonga não olhou apenas na aparência da empregada, mas também em seu uniforme surpreendentemente elaborado. Especialmente, o bordado requintado no avental era digno de admiração.
Já que foi ilustrada por uma pessoa que se vangloriava em dizer “A melhor arma de uma empregada, é seu uniforme”, então o nível de detalhe sobre a roupa foi muito além do normal. Momonga não pôde deixar de se sentir nostálgico quando recordou como o membro da guilda, responsável pelo processamento visual, começaria a gritar sobre as tarefas.
“Ah... É. Desde daquilo ele estava sempre dizendo coisas como “Uniformes de empregadas são a justiça!” Falando nisso, a heroína do mangá que ele está desenhando agora é também uma empregada doméstica. Ainda está fazendo seus assistentes chorarem com sua atenção excessiva aos detalhes, Whitebrim-san?”
Quanto à programação comportamental, foi criada por Herohero e cinco outros programadores. Em outras palavras, estas empregadas foram criadas a partir do árduo trabalho e esforços conjuntos dos membros da guilda no passado, assim ignorá-la estava fora de questão uma vez que, como o Cajado de Ainz Ooal Gown, ela também era uma parte de suas preciosas memórias.
Enquanto Momonga pensava sobre essas coisas, a empregada inclinou a cabeça, como se perguntasse qual é o problema. Enquanto alguém estava perto dela por um determinado período de tempo, a empregada adotava automaticamente essa posição. Recordando suas memórias, Momonga foi surpreendido com a atenção meticulosa aos detalhes de Herohero.
Deve haver algumas outras poses escondidas pré-programadas.
Embora ele quisesse ver todas as poses, não havia muito tempo.
Os olhos de Momonga viraram para o relógio holográfico semiesférico exibido em seu pulso esquerdo e confirmou o horário atual.
Na verdade, não havia tempo para caminhar lentamente ao redor.
“Obrigado por seu árduo trabalho.”
Momonga disse esta frase de despedida preenchida com muitos sentimentos e passou pela empregada. É claro, o outro lado não respondeu. No entanto, Momonga acreditava que uma despedida era o certo a se fazer, uma vez que este era o último dia.
Deixando a empregada para trás, Momonga seguiu em frente.
Em pouco tempo, uma escada gigante com um tapete vermelho luxuoso cobrindo o meão apareceu diante dele. Momonga desceu lentamente no lance de escadas e chegou ao 10º Andar — o Andar mais baixo na Grande Tumba de Nazarick.
O lugar que chegou era um grande salão aberto com alguns servos esperando por ele.
O primeiro servo a chamar sua atenção foi um mordomo idoso vestido elegantemente em seu uniforme tradicional.
Seu cabelo era totalmente branco, assim como a barba impecável. Mas, as costas do velho eram retas como uma flecha e fortes como uma espada de aço. Ele tinha rugas visíveis no rosto sem expressões, dava um aspecto gentil a sua aparência, mas seus olhos eram tão afiados quanto uma águia caçando sua presa.
Seguindo atrás do mordomo como sombras, haviam seis empregadas. No entanto, seu equipamento era completamente diferente da empregada que tinha encontrado anteriormente.
Suas mãos e pés estavam cobertas de luvas e armaduras decoradas com ouro, prata e metais negros. Seu vestido armadura era como um uniforme de empregada, ela usava cocar brancos em vez de elmo. Cada empregada estava segurando um tipo diferente de arma, o que passava a imagem de empregadas guerreiras.
Seus penteados também eram bastantes diferentes umas das outras: Laços, rabo de cavalo, cabelo liso, tranças, cachos franceses, etc... Mas algo que todas elas tinham em comum era a sua estonteante beleza.
Além disso, foram divididas em tipos, tais como personalidades glamour, desportivo, tradicionais e outros...
Embora fossem NPCs como as de antes, essas não foram projetadas por diversão, todas possuíam aparência distinta e seu principal objetivo era interceptar intrusos.
♦♦♦
Em YGGDRASIL, guildas em posse de uma base equivalente a um castelo ou superior, recebiam vários benefícios especiais.
Um desses benefícios eram os NPCs que guardavam a base.
Os monstros Undeads na Grande Tumba de Nazarick caíam nesta categoria. Estes chamados de “spawn NPCs”, possuíam um nível máximo de 30 e renasciam automaticamente sem nenhum custo depois de um período fixo de tempo, mas não era possível alterar suas aparências e programação I.A., portanto não representavam uma grande ameaça contra outros jogadores, eram mais como um incômodo.
Por outro lado, outro benefício especial era a capacidade de criar NPCs originais. Quando uma guilda assumia uma base com classificação de castelo, eles poderiam criar NPCs com um máximo coletivo de 700 níveis. Como o nível máximo era de 100, era possível criar um máximo de cinco NPCs níveis 100 e quatro níveis 50, isso apenas como um exemplo, é claro.
Ao criar um NPC original, além de sua aparência e I.A., ainda era possível alterar as suas armaduras e armas. Isto permitiu uma guilda para criar NPCs muito mais fortes e atribuí-los a proteger locais chaves.
Não era necessário criar esses NPCs com o combate em mente. Outra guilda que ocupava um castelo, o “Grande Reino dos Gatos”, transformou todos os seus NPCs em gatos ou outras criaturas felinas. Pode-se dizer que uma guilda se dava o direito exclusivo de criar a imagem e atmosfera de seu castelo.
♦♦♦
“Hmm.”
Olhando para o mordomo e as empregadas curvadas diante dele, Momonga levou a mão ao queixo enquanto pensava. Já que ele tinha sempre usado teletransporte para passar de cômodo em cômodo, Momonga não vinha aqui muitas vezes, o que o levou a olhar os NPCs com um ar um pouco nostálgico.
A mão de Momonga operou o console, abriu uma página que era apenas acessível a membros da guilda e ativou uma das opções. Assim que o fez, os nomes dos servos apareceram acima de suas cabeças.
“Ah, então é assim que se chamam.”
Momonga tinha esquecido este nome. Ele fez um sorriso amargo ainda nostálgico ao recordar as disputas que teve com seus companheiros ao longo de decidir o nome para este NPC.
Sebas Tian, o mordomo, também servia como governante da casa.
As seis empregadas ao lado de Sebas estavam sob seu comando direto; era a unidade de combate e limpeza chamada de “Pleiades”. Além delas, Sebas tinha vários servos e mordomos assistentes sob sua supervisão.
O quadro de texto tinha uma configuração mais detalhada, mas Momonga não estava com vontade de ler. Havia pouco tempo que restava até o desligamento do servidor e ele queria se sentar em outro lugar.
Todos os NPCs (incluindo as empregadas) continham detalhes intrincados, uma vez que houvera uma abundância de membros da guilda que eram amantes do detalhismo. Graças ao fato de que havia muitos ilustradores, designers gráficos e programadores em Ainz Ooal Gown, eles foram capazes de se obcecar sobre os recursos visuais e darem todos os seus esforços.
Originalmente, Sebas e as Empregadas de Batalha eram a última linha de defesa contra intrusos. No entanto, por serem pouco capazes de lutar contra jogadores inimigos que conseguissem chegar tão longe, seu único objetivo real era para comprar algum tempo. Mas como nunca houve invasores capazes de chegar a este ponto, eles nunca tinham recebido ordens e ficaram apenas esperando indefinidamente neste lugar.
Agarrando seu cajado, Momonga sentiu pena desses NPCs, embora esse tipo de pensamento fosse tolo. NPCs eram simplesmente dados e a única razão para acreditar que tinham emoções era devido a excelente programação da I.A.
No entanto—
“Como o Chefe de Guilda, devo movê-los uma última vez.”
Enquanto ridicularizava a si mesmo por seu comentário arrogante, Momonga emitiu uma ordem:
“Sigam-me.”
Sebas e as empregadas respeitosamente se curvaram, mostrando que aceitaram o comando.
O ato de movê-los deste local significava desconsiderar o que os membros da Guilda tinham em mente ao programá-los. Ainz Ooal Gown era uma guilda que enfatizava votos por maioria. Era proibido modificar apenas por teimosia com o que todos tinham criado em conjunto.
Mas hoje era o dia em que tudo acabaria. Momonga acreditava que todos perdoá-lo-iam se fosse tal dia.
Ponderando esses tipos de coisas, Momonga andou com o som de vários passos a segui-lo.
♦♦♦
Eventualmente, eles chegaram a um grande salão em forma de cúpula. Quatro grandes cristais de quatro cores diferentes encravados no teto estavam emitindo raios de luz branca. Havia 72 nichos na parede, a maioria deles com uma estátua.
Cada estátua imitava a aparência de um diabo e havia 67 deles.
Este cômodo foi chamado de “Chave Menor de Salomão”, também conhecido como “O Lemegeton”. Fôra retirado do título de um grimório famoso.
As estátuas, modeladas a partir dos 72 demônios de Salomão, eram na verdade Golems feitos de metais mágicos raros. A razão pela qual havia apenas 67 Golems em vez dos 72 originais, foi porque o criador ficou doente e cansado do projeto, deixando-o parcialmente finalizado.
Os quatro cristais coloridos no teto eram na verdade um monstro. Se um inimigo invadisse este lugar, automaticamente conjurariam elementais de alto nível da terra, água, fogo e ar e lançariam um bombardeio de magias ofensivas de ampla área.
Combinando tudo, tinha o poder de fogo para eliminar facilmente dois grupos completos, que eram de 12 jogadores de nível 100.
Na verdade, este cômodo era a última linha de defesa que protegia o coração de Nazarick.
Momonga atravessou o Lemegeton com os servos e chegou em frente a uma grande porta.
Elevando-se a mais de cinco metros, esta majestosa porta dupla foi meticulosamente gravada com uma bela deusa no painel da direita e um diabo horrendo no painel da esquerda. A gravura era tão vívida que dava a impressão que saltaria para fora da porta e começaria a atacar.
Embora parecessem que poderiam se mover, Momonga sabia que não eram realmente capazes disso.
—Se eles chegarem a este ponto, vamos dar aos heróis uma grande boas-vindas. Há um monte de jogadores dizendo que somos o mal e tudo mais, então por que não esperar por eles majestosamente aqui dentro, como os chefões finais?
Foi por causa desta proposta que tinha sido aprovada com uma maioria de votos. E o proponente foi—
“Ulbert-san...”
Entre todos os membros da guilda, Ulbert Alain Odle era uma pessoa que era o mais obcecado com a palavra “mal”.
“Bem, ele sofria de chuunibyou, né...”
Dando uma olhada ao redor do salão, que era bastante evidente para Momonga.
“...Estas estátuas não vão me atacar, né?”
Suas palavras estavam cheias de ansiedade e ele estava certo de ser assim.
Mesmo Momonga não compreendia completamente todos os funcionamentos internos deste labirinto. Não seria surpresa se alguns dos membros deixassem algo estranho como um presente de aposentadoria. A pessoa que projetou esta porta era esse tipo de pessoa.
Havia uma época em que eles ativaram um poderoso Golem feito por essa pessoa, e descobriu-se que a sua I.A. de combate estava bugada, fazendo com que de repente atacasse tudo ao seu redor. No entanto, Momonga permaneceu cético e acreditava que o “erro” tinha sido intencional.
“Hey, Luci★Fer-san, se eles realmente me atacarem, eu vou ficar bem irritado...”
No entanto, a cautela de Momonga em alcançar as portas era infundada. Ao tocá-las, elas se abriram sozinhas — embora o fizessem devagar, em deferência ao seu peso maciço.
A atmosfera mudou de repente.
Embora a atmosfera de antes tenha sido preenchida com uma solenidade silenciosa, a cena diante de seus olhos agora excedia e muito aquilo. O ar se tornou uma pressão que pesava sobre todo o corpo.
O seu interior era enorme: Um espaço grande o suficiente para caber centenas de pessoas com espaço de sobra e um teto tão alto que era preciso inclinar a cabeça para ver seu fim. As paredes eram brancas, adornadas com uma variedade de enfeites dourados. Pendurado no teto, filas de candelabros opulentos criados a partir de orbes de cor do arco-íris emitiam um brilho fantástico. Do teto ao chão, um total de 41 bandeiras gigantes com brasões diferentes decoravam as paredes.
Havia uma escadaria pequena com cerca de dez degraus na área mais interna do recinto, adornados com ouro e prata. No topo, havia um trono majestoso que parecia ter sido cortado de um cristal gigantesco. Na parede atrás, uma enorme bandeira vermelha escura bordada com o símbolo da guilda.
Era o lugar mais profundo e mais importante da Grande Tumba de Nazarick — O Salão do Trono.
“Ooh...”
Mesmo Momonga estava em êxtase com tamanha magnitude. Ele estava convencido de que tamanha escala ficou em primeiro lugar ou em segundo em YGGDRASIL, segundo ele.
Este salão era o lugar perfeito para contemplar os momentos finais.
Momonga saiu para o corredor; era tão grande que parecia que cada eco de seus passos eram engolidos. Então, ele moveu seus olhos para a NPC fêmea que estava ao lado do trono.
Paramentada em um vestido de branco imaculado, ela era uma mulher bonita com o rosto de uma deusa. Em contraste com seu vestido, ela tinha um cabelo preto brilhante que fluía até a cintura.
Apenas de sua íris dourada e olhos divididos verticalmente serem peculiares como os de um felino, ela era de uma beleza impecável. Mas em suas têmporas direita e esquerda haviam dois chifres salientes, grossos e tortos, como os de um carneiro. Mas isso não era tudo. Asas negras de anjo brotavam de suas costas, perto de seus quadris. Talvez devido à sombra lançada pelos chifres, seu sorriso divino parecia uma máscara que escondia seu verdadeiro eu.
Ela usava um colar de teia de aranha feito com fios de ouro que cobria seus ombros e peitos. Vestia uma luva de seda, a mão esbelta estava segurando um objeto estranho que parecia ser uma varinha. Tinha cerca de 45 cm de comprimento e, estendendo-se desde a sua ponta, uma esfera negra estava flutuando no ar.
Momonga não tinha esquecido o nome da beldade.
Se chamava Albedo, a Supervisora Guardiã, responsável pelos Guardiões de Andar da Grande Tumba de Nazarick. Ela era uma NPC que supervisionava os sete Guardiões de Andar e isso significava que era classificada hierarquicamente acima de todos os outros NPCs na Grande Tumba de Nazarick. Foi por esta razão que ela foi deixada em repouso no Salão do Trono.
Momonga olhou para Albedo com seus olhos penetrantes e se perguntou:
“Eu sabia que tinha um item World-Class aqui, mas dois? De onde veio esse?”
Em toda YGGDRASIL, havia apenas 200 itens World-Class.
Cada um deles tinha sua própria capacidade única e alguns eram poderosos o suficiente para destruir o equilíbrio do jogo. Claro, nem todos os itens World-Class tinham tais habilidades de quebra de jogo.
Mesmo assim, se um jogador conseguir brandir um item World-Class, a reputação do jogador em YGGDRASIL saltaria aos mais altos níveis.
Ainz Ooal Gown tinha 11 desses itens, mais do que qualquer outra guilda. E seu número em muito excedia a média de itens possuídos por outras guildas. Por exemplo, a guilda classificada em segundo lugar em YGGDRASIL possuía apenas 3 destes itens.
Com a aprovação de seus membros de guilda, Momonga possuía um desses itens derradeiros. O restante foi espalhado dentro de Nazarick, a maioria dormindo profundamente dentro da Tesouraria sob a proteção de guardiões.
Havia apenas uma explicação de como Albedo tinha obtido a posse de tal tesouro secreto que nem Momonga sabia. Tinha sido dado a ela pelo membro da guilda que a criou.
A guilda Ainz Ooal Gown enfatizava os votos por maioria. Era proibido uma pessoa mover os tesouros que todos haviam reunido em conjunto ao seu bel prazer.
Junto com um ligeiro desagrado, Momonga pensou em pegá-lo de volta.
Mas hoje foi o último dia e depois de levar em conta o quanto Albedo foi estimada por seu companheiro, ele decidiu ignorar a questão.
“Parem aí.”
Tendo chegado à escadaria que leva ao trono, Momonga solenemente ordenou a Sebas e as Pleiades pararem de segui-lo.
Assim que ele começou a subir os poucos degraus, ele notou passos ainda o seguindo por trás. Momonga não pôde deixar de sorrir — é claro, a expressão em seu crânio não mudou.
Os NPCs eram apenas rotinas de I.A. inflexíveis. Se ele não desse um comando com palavras específicas, eles não o reconheceriam como uma ordem. Momonga havia esquecido isso e, portanto, não havia comandado adequadamente os NPCs.
Depois dos membros da guilda deixarem de logar, Momonga passou a caçar sozinho e reunia fundos para manter Nazarick. Ele não construiu nenhuma amizade com outros jogadores, e mesmo assim procurou evitá-los ao máximo. Ele também evitou as áreas perigosas onde os antigos membros da guilda costumavam frequentar.
Dia após dia, ele estava constantemente ganhando dinheiro e o guardando na arca do tesouro até que ele desconectasse. Não havia quase nenhum contato com os NPCs.
“—Esperem.”
Os passos pararam.
Depois que Momonga deu o comando correto, ele escalou os degraus finais na frente dele ao trono.
Ele olhou abertamente para Albedo, que estava ao seu lado. Embora ele tivesse entrado nesta sala antes, não se lembrava dos olhos dela o seguindo.
“Que tipo de narrativa colocaram nela?”
A única coisa que Momonga lembrava sobre Albedo foi seu papel como Supervisora Guardiã e que ela era a NPC de maior hierarquia na Grande Tumba de Nazarick.
Guiado por sua curiosidade, Momonga operou seu console e leu a narrativa detalhada de Albedo.
Uma matriz densa de texto inundou sua visão. Seu comprimento era equivalente a um poema épico. Parecia que ler tudo lentamente o levaria ao passado até o desligamento do servidor.
Com a sensação de ter pisado em uma mina terrestre, o rosto imóvel de Momonga começou a tremer. No fundo do seu coração ele queria repreender a si mesmo por esquecer que o membro que projetou Albedo era uma pessoa extremamente meticulosa.
Mas uma vez que ele já começou a ler, ele decidiu vê-lo até o fim. Sem prestar atenção ao conteúdo real, ele deslizou os blocos de texto em um instante.
Após avançar por todos os textos longos, Momonga finalmente chegou à última parte da narrativa. Mas depois de ler o que estava escrito, sua linha de pensamento veio a uma parada súbita.
*Mas, ela é uma puta.*
Ele havia entendido errado as palavras.
“...Eh? Mas que porra é essa!?”
Momonga não pôde deixar de gritar. Agarrando em suas dúvidas, ele leu várias vezes, mas ainda era a mesma sentença. Mesmo depois de vários momentos ponderando sobre o assunto, ele não conseguia pensar em qualquer outra interpretação.
“Uma puta... espero que seja um insulto de algum tipo.”
Cada um dos 41 membros da guilda tinha sido encarregado das configurações para pelo menos um NPC.
Será que algum deles decidiu isso pra ela?
Momonga estava confuso. Talvez ele fosse capaz de encontrar um significado diferente por trás dele depois de ler cuidadosamente o texto inteiro.
Mas entre os seus membros da guilda, havia de fato as pessoas que viriam com um cenário tão distintivo e estranho. Uma dessas pessoas era Tabula Smaragdina, o criador de Albedo.
“Ah, ele era louco sobre personagem dissonante, não era? Mas, mesmo assim...”
—Mas mesmo assim, isso não é exagerar um pouco demais?
Cada NPC feito por um membro fazia parte do legado da guilda. Momonga sentia desanimado sobre Albedo, que ficou em primeiro lugar entre os NPCs tendo tal definição.
“Hmm...”
Será que tem problema modificar um NPC que um membro da guilda criou tão carinhosamente?
Depois de pensar um pouco, Momonga chegou a uma conclusão.
“Hora de mudar isso.”
Agora que ele tinha a arma da guilda em sua posse, ele era verdadeiramente o mestre dessa guilda. Deve estar bem para ele exercer sua prerrogativa. A hesitação de Momonga desapareceu com sua lógica irracional que ele deveria corrigir os erros de seus membros da guilda.
Momonga estendeu a mão que segurava o cajado. Normalmente, ele teria que usar a ferramenta de edição para alterar uma definição, mas porque agora estava usando seus privilégios de Chefe de Guilda, ele foi capaz de acessá-lo diretamente. Operando seu console, ele apagou a frase imediatamente.
“Isso é bom por agora.”
Enquanto olhava para o espaço vazio no ajuste de Albedo, Momonga pensou por um momento.
—Talvez eu deva colocar algo aí...
“Não, isso é bobagem.”
Rindo da idéia que apareceu em sua mente, ele digitou no teclado do console. Era uma única frase:
*E ainda ama Momonga.*
“Uwa, que vergonhaaa~.”
Escondendo o rosto por trás de suas mãos, Momonga se sentiu extremamente envergonhado com sua ação. Era como programar sua namorada ideal com um enredo de amor. Embora ele quisesse reescrevê-lo a princípio, ele decidiu ir com isso. Hoje, o jogo terminará e o sentimento de vergonha em breve desaparecerá. No final, a parte que foi excluída e a que foi adicionada eram do mesmo comprimento. Se houvesse alguma parte em branco que sobrasse, Momonga se sentiria muito mal com isso.
Sentado no trono, envergonhado e um pouco satisfeito, Momonga olhou ao redor da sala e percebeu que Sebas e as empregadas estavam de pé imóveis. Mesmo que eles estavam juntos no mesmo lugar, ainda sentia um pouco desolado.
—Eu acho que havia um comando para isso.
Momonga se lembrou de um comando que ele nunca usou no passado. Ele estendeu a mão e, lentamente, a moveu para baixo.
“Ajoelhem-se.”
Albedo, Sebas e as Pleiades ajoelharam simultaneamente.
Tudo estava definido.
Momonga ergueu a mão esquerda para olhar o relógio holográfico.
[23:55:48]
Apenas o tempo para os últimos momentos.
Provavelmente um GM já tinha começado a transmitir e atirar fogos de artifício lá fora. Mas, sentado aqui dentro relembrando, completamente isolado do mundo exterior, Momonga não tinha nenhuma maneira de saber.
Momonga recostou-se no trono e lentamente olhou para o teto.
Considerando como esta foi a base lendária que tinha destruído a grande força de expedição no passado, Momonga pensou que talvez houvesse alguns jogadores que poderiam tentar invadir Nazarick no dia final.
Ele estava esperando. Para aceitar o último desafio como o Chefe de Guilda.
Embora tivesse enviado e-mails para seus antigos companheiros, quase nenhum deles apareceu.
Ele estava esperando. Para saudar seus companheiros uma última vez como o Chefe de Guilda.
Agora somos uma relíquia do passado...
Momonga pensava dentro de seu coração.
A guilda era agora uma concha vazia, mas ele ainda teve um bom momento antes do fim.
Seus olhos olharam para as enormes bandeiras penduradas no teto. Seu total foi de 41. Uma bandeira para cada membro da guilda, cada uma com seu próprio símbolo. Momonga levantou seu dedo ossudo e apontou para uma das bandeiras.
“Eu.”
Então ele moveu seu dedo para a bandeira ao lado dele. Que pertencia a um dos Ainz Ooal Gown — não, com uma das mais fortes presenças de YGGDRASIL. O fundador da guilda e aquele que uma vez reuniu os “Primeiros Nove.”
“Touch Me.”
Em seguida, ele apontou para a bandeira da pessoa que era um professor universitário no mundo real e também a pessoa mais velha da Ainz Ooal Gown.
“Shijuuten Suzaku.”
Seu dedo se moveu mais rápido do que antes, apontando para a bandeira que pertencia a um dos três membros do sexo feminino da Ainz Ooal Gown.
“Ankoro Mocchi Mochi.”
Momonga suavemente recitou os nomes dos proprietários das bandeiras:
“Herohero, Peroroncino, Bukubukuchagama, Tabula Smaragdina, Takemikazuchi,
Variable Talisman, Genjiro—”
Lembrar os nomes de seus 40 companheiros não foi muito difícil para Momonga.
Os nomes de seus amigos ainda estavam profundamente impressos em sua mente.
Momonga se inclinou lentamente de volta ao trono.
“Sim, foi muito divertido...”
No topo de todas as mensalidades, Momonga gastou quase um terço de seu salário mensal em compras de cash. Não foi porque o seu rendimento era especialmente elevado, ele apenas não tinha quaisquer outros interesses, por isso gastou a maior parte de seu dinheiro em YGGDRASIL.
O jogo tinha um sistema onde os jogadores poderiam pagar uma taxa, a fim de participar de um sorteio para ganhar um item raro e Momonga gastou a maior parte de seu dinheiro com isso. Depois de muitas despesas, ele conseguiu obter muitos itens raros diferentes. Mas depois de ouvir que um de seus membros da guilda conseguiu ganhar na loteria usando apenas o seu vale refeição, Momonga ficou verde de inveja.
Uma vez que cada membro da Ainz Ooal Gown era um membro que contribuía com a sociedade, todos tinham gasto dinheiro comprando cash, mas Momonga fazia um campeonato de sua própria vontade.
Ele era muito viciado. Ir a aventuras foi interessante, mas ir explorar livremente com seus amigos foi a parte mais divertida de todas.
Para Momonga que não tinha amigos ou família o esperando no mundo real, suas lembranças do tempo que passou com seus amigos em Ainz Ooal Gown eram tudo o que tinha.
Hoje, essa guilda desapareceria.
Com o coração cheio de consternação e pesar, ele apertou a mão que segurava o cajado. Momonga era apenas uma pessoa normal, ele não tinha qualquer poder financeiro ou conexões que poderiam mudar esse fato. Ele só podia esperar em silêncio o fim do servidor para ele e quaisquer outros jogadores.
No relógio holográfico era visto 23:57. O servidor seria encerrado às 00:00.
Não vai demorar muito. Este mundo virtual vai acabar e eu vou voltar pra minha vida cotidiana.
Isto era óbvio. As pessoas não podiam viver em um mundo virtual, de modo que todos terão que sair mais cedo ou mais tarde.
Vou ter que me levantar às quatro amanhã. Preciso ir dormir assim que o servidor fechar, senão vai ser difícil trabalhar.
[23:59:35]
36, 37...
Momonga lentamente contou os segundos.
[23: 59:48]
49, 50...
Momonga fechou os olhos.
[23:59:58]
[23:59:59—]
Com o relógio contando os segundos restantes, ele esperou pelo final desta fantasia mundial.
E finalmente, o logout forçado aconteceu—
[00:00:00...]
[00:00:01]
[00:00:02]
[00:00:03...]
“...Huh?”
Momonga abriu os olhos.
Ele não estava de volta em seu cômodo familiar. Ele ainda estava sentado no Salão do Trono dentro de YGGDRASIL.
“O que está acontecendo aqui?”
A hora estava certa. Agora ele devia ter sido forçadamente desconectado do servidor.
[00:00:38]
Já passou do tempo anunciado, a menos que houvesse um erro de sistema, era impossível estar errado.
Momonga olhou ao redor confuso, em busca de uma explicação.
“Será que eles atrasaram o desligamento? Ou será que decidiram adiar o fim porque foram incapazes de desligar o servidor?”
Várias explicações vieram à sua mente, mas nenhuma delas parecia ser a resposta correta. A explicação mais provável parecia ser que; o encerramento do servidor foi atrasado devido a um erro no sistema.
Se fosse esse o caso, algum GM deveria ter feito uma declaração por agora. Momonga apressadamente tentou encontrar qualquer notícia sobre o desligamento no canal de bate-papo, mas parou abruptamente.
Não havia nenhuma interface de controle.
“Quê...?”
Embora Momonga se sentisse ansioso e confuso, ele também estava surpreso com sua própria calma. Ele tentou todas as funções utilizadas no jogo: Acesso forçado ao sistema, chat, Call GM, logout e assim por diante.
Nada estava funcionando, ele sentiu como se tivesse sido completamente removido do sistema.
“...Que droga está acontecendo aqui!?”
Seu grito irritado ecoou na câmara do trono e em seguida, desapareceu.
Uma coisa assim acontecer no último dia, quando tudo deveria terminar... Será que os desenvolvedores realmente enganaram todo mundo!?
A voz de Momonga ficou furiosa e ele se sentiu frustrado de ser incapaz de encontrar um fim glorioso.
Normalmente, não deveria ter havido nenhuma resposta à sua exclamação furiosa.
No entanto...
“Está tudo bem, Momonga-sama?”
Foi a primeira vez que Momonga ouviu essa doce voz feminina.
Apesar de atônito, Momonga começou a procurar a fonte da voz. Quando ele descobriu quem era, ficou chocado e sem palavras.
A resposta veio de uma NPC — Era Albedo.

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