Overlord V02-05 (Os dois aventureiros - Parte5)


Na calada da noite, uma pessoa encapuzada entrou no gigantesco cemitério de E-Rantel, seus passos leves como o vento davam a impressão que deslizava pelo chão.

Era bem peculiar o modo como que a capa preta com capuz, cintura e os ombros não subiam nem desciam à medida que avançava, parecendo um fantasma quando visto de longe.

A figura habilmente evitou a iluminação mágica do túmulo e prosseguiu para dentro.

Em pouco tempo, a figura chegou a um mausoléu e tirou o capuz.

A figura era uma jovem de cerca de 20 anos, na flor de sua juventude.

Ela tinha um rosto bonito e era fofa como uma gatinha ou outro animal de pequeno porte. Ainda assim, mesmo com a aparência adorável, havia a natureza predatória de um carnívoro escondida sob aquela face.

“Chegueeei~.”

Enquanto falava em tom lúdico, a garota passou os dedos pelo cabelo loiro curto e abriu as portas de pedra de um mausoléu. Tilintar de metal pôde ser ouvido sob sua capa, parecia o som de uma cota de malha.

Uma vez dentro do mausoléu, todos os túmulos estavam limpos. Os bens dos que haviam falecido já haviam sido retirados.

Talvez fosse o cheiro de todo o incenso absorvido pela pedra, mas o aroma perfumado pinicava as narinas da garota.

A garota franziu às sobrancelhas e, em seguida, dirigiu-se resoluta para dentro.

“Hm hum, hm — hm~.”

A garota pressionou uma pequena escultura discreta enquanto cantarolava. Quando a escultura se moveu, houve um clique quando alguma coisa entrou em contato com outra. Um momento depois, o som de moagem começou. As placas de pedra moveram-se lentamente para o lado e um caminho que levava para um andar mais abaixo apareceu.

“Estou entrando~.”

Com aquelas palavras cantaroladas, a garota desceu a escada. Após alguns metros, a estreita passagem conduziu a um amplo espaço subterrâneo.

Embora as paredes e o piso fossem feitos de barro, pareciam ter sido reforçados para que não entrassem em colapso com tanta facilidade. O ar estava relativamente limpo; o fluxo de ar para este lugar era bom, o que mantinha o ar fresco aqui.

No entanto, isso não fazia parte do cemitério; era algo de natureza muito mais maléfica.

Tapeçarias ameaçadoras pendiam das paredes, embaixo estavam várias velas vermelhas feitas de sangue fresco. Elas emitiam um brilho opaco, assim como um cheiro de sangue queimando.

As chamas bruxuleantes geravam inúmeras sombras, havia vários buracos nas paredes, grandes o suficiente para as pessoas passarem. O fedor único de cadáveres de undeads fracos saía desses buracos.

A garota olhou em volta e seus olhos pararam em um determinado lugar.

“Oiii, carinha assustador que está se escondendo aí no canto, você tem uma convidadaaa.”

O homem que observava os arredores de seu esconderijo nos cantos escuros da sala ouviu aquelas palavras e seus ombros tremeram.


“Oi~, vim aqui pra encontrar o Khajii-chan, que deveria estar aqui, é você?”

O homem parecia um pouco perdido quanto ao que fazer e, ao ouvir o som de passos de novo, seus ombros tremeram mais uma vez.

“Tá tudo bem. Pode dar as caras.”

Depois que a recém-chegada falou com o homem, ele se revelou.

Era um homem magro.

Seus olhos eram profundos, e seu rosto era de um branco pálido semelhante a um cadáver, ele poderia ser resumido como “sem vida”. Sua cabeça era desprovida de pêlos, não havia sobrancelhas, cílios ou quaisquer pêlos corporais à mostra. Dava a impressão de que ele era completamente sem pêlos.

Devido a isso, não havia como dizer sua idade, mas como não havia rugas em sua pele, provavelmente não era tão velho assim.

O homem trajava um manto vermelho escuro da cor do sangue seco e usava um colar feito de crânios de pequenos animais. Suas mãos estavam tão ressequidas que pareciam garras, e seus dedos — com unhas amarelas e sujas — estavam segurando um cajado preto. Ao invés de ser humano, ele parecia mais um monstro undead.

“Eiii~! Khajii-chan~!”

O homem franziu a testa ao ouvir a saudação alegre da menina.

“Você pode não se dirigir a mim dessa forma? Isso prejudicará a reputação da Zurrernorn.”

Zurrernorn.

Uma poderosa e maligna sociedade secreta composta por vários magic casters veteranos, os regendo estava um líder sábio e respeitado. Depois de orquestrarem várias tragédias, eles se tornaram inimigos dos países da região.

“Séééério...?”

O fato de a garota não querer mudar o modo como o tratava, fez o homem franzir a testa ainda mais.

“...E então? Por que veio aqui? Você sabe que estou infundindo energia no Orb of Death, não é? Se veio aqui para causar problemas, tenho maneiras de lidar com isso.”

O homem estreitou os olhos e apertou ainda mais o cajado.

“Nãooo, Khajii-chan~! Eu só vim aqui te entregar isso.”

A garota fez um sorriso coquete e estendeu a mão por baixo da capa. Ouviu-se o som de estrépito e, em seguida, a garota mostrou triunfalmente o item que ele procurava.

Era algo parecido com uma grinalda metálica.

Inúmeras pequenas joias adornavam fios finos e metálicos, percorrendo todo o item, era como uma teia de aranha coberta de gotículas de água. O item foi primorosamente feito, em uma das extremidades — a parte que cobriria a testa de quem usasse — havia um grande cristal preto.

“Isto é!”

Faltou-lhe palavras, mas o homem não pôde deixar de contemplar o objeto.

Embora ele só tivesse visto de longe, não havia como confundir-se. Esta era uma coroa que ele tinha visto uma vez antes.

“O símbolo de uma Princesa Miko, a Crown of Wisdom! Um dos tesouros da Teocracia Slane!”

“Acertou na mosca. Eu vi uma linda garota usando esta coroa estranha, mas parecia tão errado na cabeça dela que eu tirei. Mas eu fiquei muuuito surpresa depois! Ela ficou maluquinhaaa, se mijou toda e ficou lá se definhando.”

A garota se convulsionou em gargalhadas.

As Princesas Miko estavam no coração dos rituais da Teocracia Slane. Não havia como ela — antigo membro da Escritura Preta — não saber o que aconteceria quando removesse a Crown of Wisdom de sua portadora.

Afinal de contas, quando chegasse a hora de nomear uma nova Princesa Miko, o trabalho da Escritura Preta era remover à Coroa de sua atual usuária, e então prontamente enviar a agora insana Princesa Miko de volta ao leito dos deuses.

“É, mas fazer o que, né!? Era a única maneira de obter isso — é culpa da pessoa que fez a coroa, ele é o único culpado.”

Não havia como remover com segurança a Crown of Wisdom. A única opção seria a de destruí-la.

A magia da Coroa apagava a personalidade de quem a usasse, transformando-a em um item mágico ambulante capaz de usar magias de nível alto, então, ninguém faria algo estúpido como destruir um item desses.

Porém, ainda assim, poderiam haver loucos dispostos a isso.

“Hmph, quem diria que você trairia a Escritura Preta por esse lixo. Por que não roubar um dos artefatos divinos dos Seis Deuses?”

“Chamar isso de lixo é fazer pouco caso~.”

O homem riu da garota que estufou as bochechas.

“Mas qual o problema em chamar de lixo? Garotas que podem usar um item como esse são uma em um milhão. Encontrar um usuário para isso provavelmente seria impossível, mesmo na Teocracia Slane.”

A Teocracia Slane foi a única nos países vizinhos que manteve registros detalhados e genealogias de seus cidadãos. Portanto, consultando esses registros, pode-se facilmente encontrar um usuário para o item — em outras palavras, um sacrifício.

Sem isso, seria difícil até para a Zurrernorn encontrar tal pessoa.

“Pois é, mas agora é realmente impossível obter aqueles artefatos~. Afinal, o antiquário é guardado pelo monstro mais forte da Escritura Preta, aquela besta ancestral com o sangue dos Seis Deuses, ela está além do reino da humanidade~.”

“Os Divinos, hein... Esses sujeitos são realmente tão fortes assim? Eu só ouvi falar deles através de você.”

“Ultrapassam o conceito de força. As informações relevantes foram seladas, é por isso que você não sabe~. Seria péssimo se alguém que soubesse sobre isso fosse interrogado com magia de manipulação mental. Eu ouvi dizer que se o segredo vazasse, isso levaria a uma guerra total com os Dragonlords Verdadeiros sobreviventes, o que significa que a Teocracia Slane seria destruída no fogo cruzado, então eu espero que finja que nunca ouviu nada disso~.”

“...É difícil de acreditar em uma coisa dessas.”

“Bem, qualquer um que não tenha testemunhado o poder deles pensaria o mesmo~ Bem, então, vamos ao que interessa, Khajiit Dale Badantel — você está disposto a me ajudar como um dos Doze Executivos?”

O tom da garota mudou da água para o vinho.

“Oh, finalmente mostrando sua verdadeira face, fragmento de Quintia? Mas não me chame de Dale. Eu joguei fora esse nome de batismo.”

“...Então não me chame de fragmento de Quintia, hm? Me chame de Clementine.”

“...Clementine, quer que eu ajude você em quê?”

“Há um Talento bem especial na cidade, não? Talvez aquele sujeito possa usar esse item~.”

“...Aquele, o menino das fofocas. Bem, você sozinha poderia lidar com a tarefa de sequestrar um mero garoto, não?”

“Mm, claro que sim~. Mas eu gostaria de algum tipo de confusão enquanto eu faço minha jogada~.”

“Sei... uma distração enquanto foge, huh...”

“O que me diz? E se eu estivesse disposta a ajudar com o seu ritual? É um bom negócio, né~?”

O homem — Khajiit — estreitou os olhos e sorriu maldosamente:

“Negócio fechado, Clementine. Já que está disposta a me ajudar, realizarei o Rito da Morte mais cedo do que o esperado. Muito bem, vou ajudar-lhe com todos os recursos à minha disposição.”



Yokai POP
Yokai POP

Dividindo com o mundo as histórias que eu gosto.

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