Overlord V02-06 (Viagem - Parte1)


Havia duas rotas a nordeste de E-Rantel que levavam ao Vilarejo Carne. Uma seguia para o norte e depois para o leste ao longo da periferia da floresta. A outra era para o leste, depois para o norte.

Desta vez, eles passaram pela primeira rota.

Viajar ao longo da beira da floresta implicava em um aumento na probabilidade de encontrar monstros. Com toda a certeza era a escolha errada da perspectiva de um guarda-costas.

Dito isso, todos ainda queriam seguir por esse caminho. Isso porque Ainz desejava cumprir o trabalho que Peter e seus amigos lhe ofereceram; caçar monstros. Embora parecesse que estavam correndo um grande risco — equivalente a um caçador que perseguisse duas lebres ao mesmo tempo, para no fim não pegar nenhuma — a presença do poderoso Momon e Nabe significava que poderiam seguir por esse caminho com paz de espírito. Outra razão era que Nabe havia demonstrado a magia 「Lightning」 fora da cidade, a fim de provar que poderia lançar magias de 3º nível.

Além disso, eles não entrariam na floresta, apenas viajariam pelas bordas. Assim, quaisquer monstros que aparecessem não seriam muito fortes e poderiam ser eliminados se todos trabalhassem juntos. Também seria uma boa chance para cada equipe de aventureiros observar a força do outro. Eles levaram esses pontos em consideração antes de tomar sua decisão.

Após deixar E-Rantel com o sol a pino, os viajantes podiam ver à distância uma vasta extensão de floresta densa e primitiva, seus tons de verde-escuro contrastavam ao longe. Os grossos troncos de árvores subiam bem alto, enquanto seus galhos frondosos se estendiam largamente. Como a luz não podia penetrar nas profundezas da floresta, havia a sensação de que seriam engolidos pela escuridão. Os espaços entre as árvores pareciam uma boca aberta esperando uma presa distraída adentrar, o que contribuiu para a sensação de desconforto que sentiam.

♦♦♦

O grupo estava ao redor da carroça enquanto avançava. Naturalmente, Nfirea estava conduzindo a carroça. Lukrut, o ranger, andava na frente. Peter, o guerreiro, estava à esquerda da carroça. O druida Dyne e Ninya, o magic caster, estavam à direita. Por fim, Momon e Nabe na retaguarda.

A visibilidade era boa, então ninguém estava muito tenso. No entanto, a voz de Peter continha seu primeiro indício de austeridade enquanto ele falava:

“Momon-san, o trecho que estamos é bem perigoso. É bem capaz que possamos lidar com quaisquer monstros que surjam, mas te peço para que tenha cuidado mesmo assim.”

“Claro.”

Assim que Ainz assentiu, de repente pensou em algo.

Se ele estivesse em um jogo, poderia dizer que tipo de monstros apareceriam em um determinado local, mas no mundo real, isso seria impossível. Apenas os deuses sabiam se um inimigo problemático apareceria.

Depois da batalha no Vilarejo Carne há vários dias e depois de interrogar os prisioneiros da Escritura da Luz Solar, Ainz estava bastante confiante em sua força. Claro, isso era em sua capacidade como magic caster. Agora que Ainz estava trajando uma armadura magicamente criada, havia poucas magias que ele poderia conjurar.

Ele poderia servir como uma vanguarda eficaz com todas as suas forças seladas? Além disso, como guarda-costas, sua condição de vitória não estava na derrota inimiga, mas protegendo Nfirea de qualquer dano. Ainz sentiu-se desconfortável enquanto pensava sobre isso.

Se a situação justificasse, ele removeria sua armadura e usaria magia. Mas se fizesse isso, ele teria que matar seus companheiros ou alterar suas memórias, e Ainz não queria isso de jeito nenhum.

Isso é um pé no saco.

Ainz olhou para o lado e encarou Narberal, que assentiu sob seu olhar.

Os dois já haviam discutido seus planos para emergências. Narberal lançaria magia do 5º nível se as coisas chegassem a esse ponto. E se isso não funcionasse também, Ainz trocaria sua armadura e levaria a situação um pouco a sério.

Vendo que os dois fizerem contato visual — embora Ainz ainda estivesse usando seu elmo fechado —, Lukrut aparentemente equivocado sobre a situação, dirigiu-se à Narberal em um tom leve e arejado:

“Relaxa, vai ficar tudo bem. Não vai ser nada de mais, basta a gente não ficar emboscado. E nada vai escapar dos meus olhos e ouvidos enquanto eu estiver no comando. Eu sou ótimo, não sou, Nabe-san?”

Em resposta ao comportamento de Lukrut, Narberal apenas zombou:

“Momon-san, me daria a permissão para pulverizar essa... forma de vida inferior (mosquito Aedes)?”

“Ah, Nabe-san me agraciou com suas palavras frias!”

Todos sorriram amargamente quando Lukrut fez um sinal levantando o polegar, mas eles não pareciam se importar com as duras retaliações de Narberal. Eles não achavam que Narberal realmente pensasse nos seres humanos em geral como formas de vida inferiores, apenas certos indivíduos, Lukrut, em particular.

Ainz negou o pedido sincero de Narberal, sentindo um desconforto em seu intestino inexistente.

Seria bom se ela pudesse esconder esses pensamentos internos enquanto viajamos com humanos...

Nfirea parecia ter entendido errado também e interrompeu:

“Vai ficar bem. Na verdade, a região daqui até o Vilarejo Carne é o território do “Sábio Rei da Floresta”. Então, a menos que nossa sorte seja muito ruim, não devemos encontrar monstros aqui.”

“O Sábio Rei da Floresta?”

Ainz recordou o que aprendera no Vilarejo Carne.

O Sábio Rei da Floresta era um monstro capaz de usar magia e era terrivelmente poderoso. Como seu covil estava nas profundezas da floresta, praticamente não havia relatos de testemunhas oculares sobre isso, embora sua existência tivesse sido um tópico de discussão desde muito tempo atrás. Algumas pessoas o chamavam de fera prateada de quatro patas com uma cobra como cauda, que havia vivido por centenas de anos.

Ah, eu gostaria de ver isso.

Ele não sabia se as histórias eram verdadeiras ou falsas, mas se realmente tivesse vivido todos esses anos, deveria possuir um intelecto surpreendente. Afinal, era chamado o Sábio Rei da Floresta. Se pudesse capturá-lo... poderia ser um ativo capaz de fortalecer Nazarick.

Ainz montou uma imagem nebulosa do que pensava, e a forma do monstro apareceu em sua mente.

Com um nome como “Sábio Rei da Floresta”, pode ser um animal anteriormente considerado extinto... como um macaco, talvez... ah, um orangotango? Esse nome significa “homem da floresta ...” ou seria “sábio”? E tem uma cobra como rabo... existe um monstro assim?

Ainz achava que YGGDRASIL poderia ter um monstro assim. Depois de atormentar seu cérebro, ele encontrou uma resposta:

Um Nue! ...É uma criatura que tem cabeça de macaco, corpo de guaxinim, membros de um tigre e rabo de cobra... só que não tem como eu ter certeza que realmente se trata de um monstro de YGGDRASIL. Pode ter sido convocado, assim como aqueles anjos.

Enquanto Ainz pensava nos Nues de YGGDRASIL, Lukrut tentou puxar assunto novamente com Narberal em tom volúvel:

“Estou aqui me perguntando, sabe... se completarmos a missão perfeitamente, o carinho da minha amada Nabe-chan por mim vai aumentar um pouquinho?”

Narberal estalou a língua, sua repulsa subiu do fundo do coração.

Lukrut lançou um olhar exagerado de choque, mas ninguém deu muita bola. Todos pareciam tratá-los como um dueto de comédia.

Desta forma, todos conversavam enquanto progrediam sob o sol escaldante que bronzeava a pele. Suas botas estavam cobertas pelos sucos da grama pisada e cheiravam a plantas.

Enquanto observava todos enxugando o suor, Ainz estava extremamente grato por seu corpo undead. A forte luz do sol não o cansava, mesmo usando essa armadura desajeitada e pesada.

Apenas Lukrut permaneceu enérgico e alegre, conversando e rindo com os outros, que estavam marchando em silêncio:

“Relaxem um pouco, não precisam ficar tão alertas assim. Afinal, nada escapa dos meus olhos e ouvidos. Até a Nabe-chan confia em mim, olha como ela tá tranquila.”

“Não é por sua causa. É porque temos o Momon-san.”

Narberal franziu a testa. Sentindo que algo drástico poderia acontecer, Ainz colocou a mão no ombro de Narberal e seu rosto imediatamente se suavizou.

Vendo a interação da dupla, Lukrut questionou:

“Huh, então é como parece, você é realmente a namorada do Momon-san, né?”

“N-Na-Namorada!!? O que está dizendo!? Ele já tem a Albedo-sama!”

“Sua—!”

Ainz gritou de aversão.

“—O que está dizendo, Nabe!?”

“AH—!”

Os olhos de Narberal se arregalaram e ela cobriu a boca. Ainz tossiu e depois disse friamente:

“...Lukrut-san, poderia não fazer especulações infundadas?”

“...Ah — desculpe por isso. Era só uma piada. Mas ah— não sabia que tinha outra pessoa, Momon-san.”

O curvado Lukrut não parecia com remorso, mas Ainz não estava tão zangado quanto estava agora a pouco. Parece que pegar Narberal para esta expedição foi uma decisão tola.

Ainda assim, apesar de sua má escolha, Ainz não tinha muitas alternativas. Afinal, ele não tinha mais ninguém a quem recorrer além dela. Quase todos os NPCs feitos pela guilda Ainz Ooal Gown eram seres heteromórficos, os próprios membros da guilda eram seres heteromórficos. Havia pouquíssimos entre eles que poderiam passar despercebidos se trazidos para uma cidade humana. Quanto a Narberal, pelo menos ela tinha uma aparência humana, mesmo que fosse um disfarce. Assim, ela era uma das poucas pessoas que ele poderia usar... embora não tivesse fatorado sua personalidade na equação quando ele fez sua escolha.

Dadas as circunstâncias atuais, talvez outra Empregada de Batalha, como Lupusregina Beta, pudesse ter sido uma escolha melhor, mas era tarde demais para se arrepender de sua decisão neste momento.

O rosto de Narberal estava pálido por sua gafe. Ainz deu vários tapinhas nas costas de Narberal para relaxá-la. Um bom chefe precisava perdoar o primeiro erro cometido por seus subordinados. A bronca viria quando eles repetissem seus erros. Seria ruim se ela caísse em desespero ou saísse correndo, afetando assim seus movimentos.

O importante foi que a única coisa que ela fez foi mencionar o nome de Albedo. Não havia necessidade de alterar suas memórias... provavelmente.

“Lukrut, pare de falar bobagens e fique alerta.”

“Tá bom.”

“Momon-san, sinto muito pela grosseria do meu colega. Sabemos que ficar se intrometendo na vida dos outros não é nada agradável.”

“Não, não. Podem relaxar, são águas passadas. Só evitem repetir isso no futuro.”

Os dois olharam para as costas de Lukrut, e ouviram algo do tipo:

“Ah — Nabe-chan me odeia agora. Urg, meu nível de afeto deve estar no negativo...”

Lukrut abaixou seus ombros em derrota.

“Aquele idiota...! Quando o trabalho terminar, ele vai ter que ouvir algumas coisas. Enfim, espero que não dê atenção ao que ele acabou de dizer.”

“Bem, sobre isso... Hm. Confio que vai repreendê-lo quando chegar a hora. Ele está sendo nossos olhos e ouvidos, vamos deixar assim por enquanto. Se me dá licença, tenho umas coisas para perguntar ali.”

“Claro, tudo bem. Mas pode ter certeza que vamos fazer o Lukrut pagar pelo inconveniente.”

Depois que Peter sorriu terminando a conversa, Ainz avançou para Dyne e Ninya. Dyne — trocando de lugar com Ainz — recuou para caminhar ao lado de Narberal.

“Posso perguntar umas coisas sobre magia?”

Depois de ver Ninya assentir com a cabeça, Ainz começou com suas perguntas. Nfirea pareceu se interessar na conversa e começou a observá-los.

“As pessoas que fossem encantadas ou dominadas por magia podem revelar as informações que carregam. Existe uma contramedida mágica que faz com que as pessoas morram depois de serem interrogadas várias vezes?”

“Eu nunca ouvi falar de uma magia como essa.”

Ainz olhou para Nfirea procurando uma segunda opinião.

“Nem eu. Existem maneiras de modificar uma magia para que ela seja ativada em um momento diferente, mas não acho que seja algo elaborado do modo que descreveu.”

“...Entendi.”

Ainz ficou um pouco desapontado quando não obteve a resposta que procurava.

Se fosse esse o caso, ele teria que se preocupar em como lidar com os membros sobreviventes da Escritura da Luz Solar mais tarde.

Como havia pouquíssimos sobreviventes, seria um desperdício gastá-los sem motivo. A fim de descobrir o porquê eles desapareceram após a morte, ele os havia vivificado com técnicas médicas mágicas, mas acabou sendo um fracasso. Se eles morressem disso, deveria ele continuar a interrogá-los? Afinal, perder um homem significava perder a chance de fazer perguntas.

Ainda mais lamentável foi o caso de Nigun, que foi o primeiro a morrer. Eles haviam perdido Nigun depois de fazer algumas perguntas simples, justo o membro que provavelmente sabia informações importantíssimas.

Ainda assim, essa perda fez com que Ainz soubesse que não poderia enfrentar este mundo apenas com seu conhecimento de YGGDRASIL, de modo que isso poderia ser considerado como uma lição aprendida. No mínimo, aprenderam como proceder a partir desse fracasso.

Enquanto Ainz pensava distraidamente sobre isso, Ninya continuou falando:

“Mas bem, meu conhecimento de magia é bem raso. Talvez os países que treinaram magic casters a nível nacional possam criar magias como essa. A Teocracia Slane tem academias para clérigos, já o Império tem institutos que produzem seus arcanistas, conjuradores, magos e outros magic casters arcanos. Além desses, há lugares como o Estado do Conselho de Argland, que usa algo como magias nascidas da sabedoria dos Dragões.”

“Faz sentido. Em outras palavras, magias como essa poderiam ser criadas com a ajuda de um país inteiro.”

De acordo com as informações obtidas anteriormente, o Estado do Conselho de Argland era uma nação de demi-humanos, governada por um conselho. Era em oposição à Teocracia Slane, que defende o conceito de supremacia humana. A coisa mais interessante sobre eles eram cinco de seus conselheiros, Dragões que diziam possuir um poder incrível.

Ainz estava interessado no Conselho, mas ele ainda não havia fixado seus pés neste mundo e não tinha o excesso de energia para espalhar seus tentáculos para aquela nação no momento. Apenas mantendo seus esquemas atuais em execução exigia uma quantidade considerável da mão de obra de Nazarick.

“Então, posso perguntar sobre outra coisa?”

Ainz continuou questionando Ninya enquanto caminhava, até que ficou satisfeito.

Ele perguntou a Ninya e Peter tantas coisas que os outros membros do Espadas das Trevas olharam para ele com olhos que diziam: “Eles não cansam de falar não?” Os tópicos que ele abordava eram bastante diversos, incluindo magia, Artes Marciais, aventureiros, a política da região, entre outras coisas.

Embora ele tivesse que fazer suas perguntas com cuidado, as respostas ainda foram muito úteis. Ainz tinha certeza de que isso aumentara muito seu conhecimento sobre esse mundo.

No entanto, ele não achava que fosse o bastante. Aprender sobre uma coisa o deixava curioso sobre outras coisas, especialmente quando se tratava do tema da magia. Era surpreendente a idéia de um mundo evoluindo tecnologicamente a base de magia.

A maior influência disso pôde ser vista no nível tecnológico deste mundo. Parecia semelhante à Idade Média, mas na verdade era mais próximo da Idade Moderna. A razão para essa mescla foi devido aos avanços tecnológicos à base de magia.

Depois de saber disso, Ainz desistiu de tentar entender a tecnologia deste mundo. Por ter nascido em um mundo altamente tecnológico moldado pela ciência, não havia como ele traçar paralelos entre o que conhecia e transpor para um mundo que havia se desenvolvido com a ajuda da magia. Por exemplo, havia magias que produziam sal, açúcar e especiarias, bem como magias que restauravam nutrientes ao solo, removendo a necessidade de um período de pousio na agricultura.

Além disso, havia o fato de que o mar aparentemente não era salgado. Todas as leis que regiam esse mundo eram amplamente desconexas do conhecimento base de Ainz.

Ainz perdeu a noção do tempo no processo de satisfazer cuidadosamente sua curiosidade.

“Movimento.”

Disse Lukrut de repente, em uma voz que continha uma sugestão de tensão. Era completamente diferente da atitude volúvel que ele tomara enquanto flertava com Nabe. Em seu lugar estava um aventureiro profissional e experiente.

Todos se viraram para a direção em que Lukrut estava olhando e prepararam suas armas.

“Onde?”

“Lá. Naquela direção.”

Disse Lukrut em resposta à pergunta de Peter. Ele apontou para um canto da floresta, mas ninguém conseguia ver nada através dos troncos e folhas. Mesmo assim, nenhum deles duvidou.

“O que faremos?”

“Não vamos mexer com quem tá quieto. Se não saírem da floresta, vamos deixá-los lá.”

“Então, a coisa mais inteligente agora é seguir o plano e fazer o Nfirea-shi recuar em segurança!”

Enquanto discutiam o próximo passo, houve movimentos na floresta e monstros se revelavam lentamente.

Havia 15 criaturas que eram do tamanho de crianças, cercadas por 6 criaturas enormes.

O primeiro grupo eram os demi-humanos chamados Goblins.

Seus rostos retorcidos tinham nariz achatado e duas presas se projetavam de seus lábios vorazes. A pele deles era marrom-clara, enquanto os cabelos negros e imundos pareciam ter sido modelados com cera.

Eles usavam roupas esfarrapadas, a cor parecia ferrugem queimada, embora não se soubesse se era tingida dessa cor ou manchada dessa forma por sujeira. Além disso, eles pareceriam usar armaduras rústicas feitas a partir de couro curtido de animais. Cada um segurava um tacape de madeira em uma das mãos e um pequeno escudo na outra.

Eles eram monstros de aparência maligna, nascidos do acasalamento de humanos e macacos.

As criaturas menos numerosas eram enormes, mediam aproximadamente de 250 a 300 centímetros de altura.

Suas mandíbulas inferiores eram projetadas para frente, e eles pareciam lerdos.

Seus braços musculosos pareciam troncos de árvores. Suas mãos quase se arrastavam no chão devido à sua postura corcunda. Eles usavam troncos como se fossem gravetos e usavam peles de animais em volta da cintura. Eles fediam tanto que os aventureiros podiam sentir o cheiro apesar da distância que os separava.

Sua pele morena bronzeada estava coberta de verrugas, enquanto seus peitos musculosos e barrigas pareciam bastante firmes. De relance, pareciam muito fortes, eram como gorilas despelados e distorcidos.

Eles eram demi-humanos conhecidos como Ogros. Quase todos pareciam carregar sacos esfarrapados, como se fosse para uma longa jornada.

Os monstros observavam os aventureiros com cautela enquanto avançavam pelas planícies cobertas de grama. Eles poderiam estar a alguma distância, mas havia uma hostilidade inconfundível em seus rostos feios.

“...São muitos. Parece que não podemos evitar uma briga.”

“Mm, isso mesmo. Goblins e Ogros são do tipo que atacam quando superam seus oponentes. Seres inteligentes sabem que não podem julgar a força de seus oponentes só pelos números, mas esperar isso deles é pedir demais.”

Ainz aceitava e entendia isso sem problema algum, mesmo assim ele ficou um pouco confuso, pois os detalhes diferiam muito dos jogos.

Seja na altura ou na cor da pele, os Ogros e Goblins diante dele eram todos diferentes uns dos outros. Em outras palavras, cada um era único à sua maneira. Parecia que ele estava enfrentando 21 monstros desconhecidos.


“A realidade é bem diferente, huh.”

Ele sentiu como se estivesse lutando contra monstros desconhecidos em uma região inexplorada, e sem o benefício de um site com tutoriais passo a passo. Ao recordar o sentimento daquela batalha em Carne, Ainz começou a murmurar para si mesmo.

“Então, Momon-san.”

“...Ah, algo importante?”

“Antes concordamos em dividir as tarefas no meio, mas e agora, o que faremos?”

“Não podemos nos dividir em duas equipes e eliminá-los quando atacarem?”

“Seria uma dor de cabeça se atacassem mais de um lado. Nabe-san, você pode usar 「Fireball」 para eliminar todos os Goblins de uma só vez?”

“Eu não posso usar 「Fireball」. A magia mais forte que eu posso usar é 「Lightning」.”

Ainz pensou nas restrições que ele lhe dera antes.

“「Lightning」 é uma magia que penetra em linha reta, não é?”

“E que tal fazer o inimigo formar uma linha, e então usar a magia da Nabe pra acabar com eles de uma vez?”

“Nesse caso, precisaríamos de uma linha defensiva que possa segurar a ofensiva do inimigo...”

“Deixe-me lidar com isso. Posso confiar em vocês, senhores, para proteger o Nfirea-san na carroça?”

“Momon-san...”

“Eu ficaria envergonhado se um bando de Ogros me desse problemas. Pessoal, peço que todos observem como eu abato aqueles Ogros.”

Quando ouviram a voz confiante de Ainz, a compreensão surgiu nos rostos dos Espadas das Trevas. Seus corações encheram-se com a paz de espírito que veio de saber que eles poderiam deixar essa tarefa para ele sem ter que se preocupar.

“Entendido. Ninguém aqui vai ficar assistindo sem fazer nada, vamos dar todo o suporte que precisar.”

“Você precisa de algum apoio mágico?”

“Ah, não para nós. Caros amigos do Espadas das Trevas, se concentrem em apoiar seus companheiros.”

“Por favor, espere um pouco. Se começarmos tão perto da floresta, há uma chance de algum inimigo passar despercebido.”

“Se for esse o caso, devemos fazer o habitual e atraí-los primeiro?”

“Uma excelente idéia! Momon-shi vai bloquear a investida do inimigo, mas como vamos lidar com qualquer peixe que escape da rede?”

“Eu atraso os Ogros com a Arte Marcial 《Fortaleza》. Dyne, você vai lidar com os Goblins. Ninya lançará uma magia defensiva em mim e, embora possa não ser necessário, você também deve tomar cuidado com a segurança da Nabe-san e usar magias de ataque sempre que possível. Lukrut, vá cuidar dos Goblins, e se algum Ogro passar pela linha defensiva, você terá que bloqueá-lo também. Se isso acontecer, mude sua prioridade para acabar com os Goblins, Ninya.”

Todos se entreolharam e assentiram, mostrando que entendiam as instruções de Peter. Sua estratégia de combate foi decidida sem problemas, e seu trabalho em equipe foi impecável.

Ainz, que ficou impressionado com essa exibição, fez um ruído de aprovação silenciosa.

Ele se lembrou de YGGDRASIL mais uma vez. Naquela época, Ainz e seus companheiros caçavam monstros com as mesmas estratégias; jogar a isca, atraindo, bloqueando e atacando. Eles poderiam lutar bem como um grupo porque estavam completamente familiarizados com os pontos fortes de cada um.

Talvez ele estivesse sendo tendencioso, mas Ainz acreditava sinceramente que a coordenação deles não era fácil de se replicar. Os Espadas das Trevas não poderiam se comparar a eles, embora pudesse ver algo como seu próprio meio de trabalhar em equipe devido suas estratégias.

“Momon-san, você precisa de alguma ajuda, mesmo que não seja magia?”

“Não, não há necessidade. Nós dois seremos o suficiente.”

“Isso soa... muito confiante.”

Houve algum desconforto nas palavras de Peter. Se a pessoa responsável por manter a linha de frente caísse facilmente, isso poderia levar a um efeito dominó que terminaria na equipe se desintegrando. Ele deve ter se sentido desconfortável com isso.

Afinal, isso não era um jogo, mas uma batalha onde apostavam suas vidas.

“Você verá assim que começar.”

Disse Ainz, encerrando a conversa com uma resposta curta.

“Peter-san, vamos começar assim que seus preparativos terminarem.”

♦♦♦

Lukrut puxou a corda do arco longo até o limite, seu arco começou a ranger. Com um whoosh, a corda do arco cortou o ar, disparando uma flecha em linha reta. Atingiu o solo a cerca de 10 metros dos Goblins da planície.

O ataque repentino fez os Goblins zombarem de Lukrut por trás de seus escudos.

O objeto de sua zombaria foi a flecha cravada na terra. É claro que os Goblins também não conseguiriam acertar um alvo que estivesse a mais de 120 metros de distância, mas eles pareciam ter esquecido disso.

A grande disparidade entre o ataque que receberam e seus números fez com que os instintos violentos dos Goblins aumentassem. Eles gritaram em uníssono e avançaram para Lukrut com um solavanco selvagem. Os Ogros, um pouco mais lentos, também vieram atrás deles.

Levados a um frenesi por sua sede de sangue, eles não se formaram em fileiras, nem se protegeram com seus escudos. Suas mentes estavam vazias.

Quando verificou o fato, Lukrut sorriu de forma singela.

“Caíram direitinho!”

Ele disparou outra flecha quando o inimigo estava a 90 metros de distância. Desta vez, a flecha não ficou aquém, mas perfurou o crânio de um Goblin. O Goblin no final da formação deu alguns passos vacilantes antes de desabar no chão, onde morreu.

A distância entre eles diminuiu, mas não havia preocupação em Lukrut, sua mão estava firme segurando o arco. Isso porque ele estava confiante de que alguém iria protegê-lo, mesmo que o inimigo o alcançasse.

“「Reinforce Armor」.”

Ninya lançou uma magia atrás de Lukrut, ouvindo a voz de seu colega, Lukrut colocou outra flecha na corda de seu arco. Depois de 50 metros, uma flecha atravessou a cabeça de outro Goblin, que desabou e não voltou a levantar. Dyne decidiu fazer o seu movimento também.

Embora os Goblins fossem ágeis, os Ogros tinham passos largos, assim suas velocidades eram praticamente as mesmas. Dito isso, ao longo de uma corrida de quase 100 metros através de uma planície gramada, os Ogros com suas pernas mais fortes terminaram na frente enquanto os Goblins ficavam para trás. Os dois grupos se afastaram um do outro e Dyne não conseguiu pegar muitos deles na área do efeito de sua magia.

Ainda assim, foi o suficiente. Logo depois, o primeiro objetivo de Dyne foi imobilizar um Ogro.

“「Twine Plant」.”

Dyne lançou sua magia e a vegetação moveu-se sob os pés de um dos Ogros, transformando-se em trepadeiras que se emaranhavam em torno de seus pés. Imobilizado pela vida vegetal anormalmente resiliente, o Ogro rugiu em frustração.

Ao mesmo tempo, Ainz — seguido por Narberal — andava sem pressa para a frente.

Eles avançavam como se estivessem dando um passeio, como se não se importassem com o iminente ataque dos monstros.

Enquanto os Ogros corriam e se aproximavam deles, Ainz moveu as mãos para as costas agarrando os punhos de suas espadas. Narberal também moveu a mão para debaixo da capa e sacou a espada embainhada.

Momon brandiu suas espadas grandes, traçando dois grandes arcos no ar.

A luz ofuscante refletida pelas lâminas fez os Espadas das Trevas ofegarem de surpresa.

As espadas que Ainz empunhava — cada uma com 150 centímetros de comprimento — pareciam excepcionalmente ornamentadas. Elas se pareciam mais com obras de arte do que com ferramentas de guerra.

Um par de serpentes entrelaçadas havia sido esculpido nas lâminas. Suas pontas eram arredondadas e mais largas do que o resto da espada, como um par de leques abertos. As bordas irradiavam um brilho frio e afiado.

Mesmo uma bastava para ocupar a alcunha de arma de herói. Mas Ainz segurava um par dessas espadas.

Ao contemplarem sua figura majestosa, os Espadas das Trevas respiraram em uníssono. Se o que eles viram antes os fez suspirar, o que eles viram agora foi uma cena que os deixou mudos.

As espadas ficariam mais pesadas quanto mais longas fossem. Espadas compridas como as que Ainz estava segurando não podiam ser manuseadas facilmente, mesmo com a magia de redução de peso. É verdade que eles já sabiam que Ainz possuía uma força sobrenatural, mesmo dado seu curto tempo com ele, mas mesmo assim, eles não podiam acreditar que alguém pudesse manejar aquelas espadas com tal facilidade.

Contudo—

Ainz casualmente as chicoteou pelo ar como um par de gravetos. Realmente, era uma visão inspiradora.

“Momon-san... que tipo de homem você é—”

Peter respirou, como se estivesse falando por todos os outros.

Como um guerreiro, ele imediatamente soube o quão forte um braço teria que ser para fazer um golpe como esse. Seu choque foi porque ele não tinha idéia de quanto tempo Momon tinha treinado para alcançar esse nível de habilidade. Embora ele sempre sentisse que Momon estava em um nível diferente de si mesmo, ser confrontado com a verdade fez suas pernas tremerem incontrolavelmente.

Mesmo os Goblins não-inteligentes ficaram aterrorizados com a visão de Ainz; suas pernas ficando mais lentas quando correram ao redor dele para emboscar Peter e os outros.

Apenas os Ogros, que eram muito estúpidos para terem medo e que estavam extremamente confiantes em sua força, continuaram em direção a Ainz.

Quando os Ogros se aproximaram dele, levantaram seus tacapes.

As espadas grandes de Ainz podem ser enormes, mas os Ogros, com seus grandes tacapes, tinham um alcance maior do que ele. Contudo, assim que os Ogros estavam prestes a fazer o seu movimento, Ainz se adiantou.

Seus movimentos foram tão rápidos quanto o vento. E então, mais rápido que isso, ele manejou a grande espada na mão direita. A lâmina deixou um rastro prateado em seu percurso.

O golpe foi impressionante — levantou arrepios na pele dos espectadores. Mesmo que a lâmina não estivesse apontada para eles, não podiam deixar de sentir que a morte estava ao lado deles.


Acabou em um único golpe.

Ainz desviou o olhar do Ogro na frente dele, procurando outro alvo. Como se esperasse Ainz desviar o olhar, a parte superior do Ogro deslizou e caiu sobre o chão, deixando a parte inferior do corpo imóvel ainda de pé. No entanto, os esguichos de sangue, vísceras expostas e o mau cheiro pairando no ar provavam que não tinha sido uma ilusão.

O Ogro foi cortado diagonalmente.

A batalha ainda estava em andamento, mas os dois lados estavam imóveis. Eles estavam olhando para essa visão impressionante.

Foi morto em um único golpe. Nem mesmo o poderoso físico de um Ogro pôde salvá-lo do destino de ser cortado em dois.

“...Surpreendente.”

Alguém murmurou essas palavras, que foram ouvidas claramente dado o silêncio que pairava no campo de batalha.

“...Absolutamente incrível. Isso está além do mythril ou orichalcum... não, será que ele é um adamantite?”

Rachar um inimigo em duas partes.

Este não era um feito impossível. Alguns raros expoentes da esgrima — ou aqueles que possuem armas mágicas poderosas — podem ser capazes de fazê-lo. No entanto, era senso comum que não se podia usar a força total ao empunhar uma espada grande de duas mãos com apenas uma. Afinal de contas, as armas de duas mãos eram, como o nome indicava, destinadas a serem empunhadas com ambas as mãos, usando o peso da arma e a alavancagem de seu comprimento para causar dano. Elas não tinham sido concedidas com a intenção de serem manuseadas pela força de um braço.

Portanto, dado aos movimentos de Ainz, existia a possibilidade de que sua espada pudesse ser encantada com magia além do conhecimento de itens mágicos normais, ou que Ainz com apenas uma mão fosse mais forte que um guerreiro normal com ambos os braços, ou mesmo tudo ao mesmo tempo.

Diante dessa visão de cair o queixo, os Ogros pararam de se mover inconscientemente e começaram a recuar com olhares de medo em seus rostos. Ainz avançou, encolhendo a distância entre ele e os Ogros.

“O que está errado? Não querem vir?”

Suas palavras descontraídas ecoaram no campo de batalha.

Essas palavras simples encheram os Ogros de medo. Afinal, eles tinham visto com seus próprios olhos a grande disparidade entre seu próprio poder e o de Ainz.

Por sua parte, Ainz fechou a lacuna para os Ogros com uma velocidade surpreendente. Seus movimentos foram muito rápidos, uma velocidade que alguém usando uma armadura completa não deveria possuir.

“Guooooh!”

Com um grito que soou como um cruzamento entre um gemido de desespero e um grito, o Ogro diante dele levantou seu grande tacape para ferir Ainz que se aproximava. No entanto, todos aqui sabiam que o Ogro era muito, muito lento.

Quando Ainz se aproximou, girou a grande espada na mão esquerda horizontalmente.

A parte superior do corpo do Ogro girou no ar, caindo à alguma distância do resto do corpo.

Desta vez, foi transversalmente dividido.

“Momon-shi... o senhor é um monstro...?”

Quando outra cena de tirar o fôlego se desdobrou diante de seus olhos, nenhum deles conseguiu refutar as palavras de Dyne.

“...Então, faltam quantos?”

Ainz se adiantou. Os rostos feios dos Ogros congelaram e recuaram ainda mais rápido.

Os Goblins circulavam em volta da linha defensiva de Ogros e Ainz, eles queriam atacar Peter e os outros. Os Espadas das Trevas, atordoados pelas visões que tinham acabado de ver, conseguiram reagir ao ataque e começaram a se mover.

Peter ergueu a espada larga e o grande escudo, preparado para enfrentar os cerca de 10 Goblins que vinham em sua direção. Ele avançou; a cabeça de um Goblin foi arremessada pelo ar, Peter desviou do esguicho de sangue arterial antes de entrar na batalha com os outros Goblins.

“Tomem isso!”

Os Goblins mostraram seus dentes amarelados e responderam com um grito distorcido que incomodava os ouvidos.

Peter habilmente bloqueou o tacape do Goblin com seu escudo, enquanto sua armadura magicamente reforçada aguentou o resto dos golpes sem muito esforço.

“「Magic Arrow」.”

Dois projéteis mágicos atingiram o Goblin tentando atacar Peter por trás. Ele desabou como uma marionete cujos cordéis foram cortados.

Metade dos Goblins em torno de Peter foram em direção aos outros três aventureiros, mas nenhum dos Goblins ousou atacar Narberal, que estava ao lado da tempestade da morte que era Ainz.

Lukrut largou o arco longo e tirou uma espada curta da cintura. Juntamente com Dyne, que usava uma maça, os dois correram para Ninya e colocaram as costas contra as dele.

Lukrut e Dyne foram cercados por 5 Goblins, e as chances pareciam mais ou menos iguais. Embora os Goblins estivessem sendo eliminados um por um, ainda era muito demorado nas circunstâncias atuais. O rosto de Lukrut estava distorcido pela agonia enquanto suportava a dor em seu braço — ele havia sido atingido por um tacape de Goblins — e forçava sua espada curta nas aberturas da armadura de couro de seu oponente. Dyne também sofrera vários golpes e, como resultado, seus movimentos diminuíram, mas ele não estava em nenhum perigo mortal.

Ninya examinou ansiosamente o campo de batalha, com o objetivo de conservar suas magias. Embora alguns dos Ogros fossem imobilizados por magia, ele poderia ter que lidar com eles se a situação mudasse.

Quanto a Peter, ele estava envolvido em uma batalha feroz com 6 Goblins, e a luta foi para frente e para trás várias vezes.

A razão pela qual eles não foram sobrecarregados por 11 Goblins foi porque a investida dos Goblins havia sido embotada. Depois de ver a capacidade sobrenatural de Ainz em matar Ogros de uma só vez, o moral dos Goblins despencou e eles não conseguiram decidir se fugiam ou lutavam.

Então, Ainz moveu sua espada em um grande arco, como se anunciasse sua intenção de desmoralizar completamente os Goblins.

Quando o som do ar deslocado atingiu os ouvidos de todos, eles ouviram o barulho de algo pesado batendo contra o chão, logo seguido por mais dois desses sons.

Assim como todos esperavam, o número de cadáveres de Ogros aumentou constantemente. Havia mais dois Ogros lutando para se manterem com vida. Um deles estava preso na grama, enquanto o outro tremia de medo diante de Ainz.

Sob o elmo, Ainz se virou encarando o último Ogro que ainda estava se opondo a ele. O Ogro pareceu sentir a expressão de Ainz através das fendas da viseira fechada, porque fez um grito estranho antes de virar-se em fuga, descartando seu grande tacape enquanto corria para a floresta. Ele estava se movendo mais rápido do que quando o carregava, mas não havia escapatória para isso.

“Nabe, agora.”

Enquanto a ordem impiedosa ecoava pelo ar, Narberal — que estava parada atrás de Ainz — assentiu delicadamente.

“「Lightning」.”

A descarga elétrica raiou para frente, avançando até perfurar o corpo do Ogro em fuga. Foi tão precisa que, mesmo após perfurar o Ogro que estava mais atrás — o que havia sido enraizado pela magia de Dyne —, ainda acertou o alvo em cheio.

Aquela única magia acabou com dois Ogros.

“Correr!”

“Fugir! Fuja!”

Os Goblins, que haviam assistido a essa cena em silêncio atordoante, começaram a fugir enquanto gritavam de terror. No entanto, Peter era muito rápido para eles, e os Goblins desmoralizados não eram uma ameaça.

Os aventureiros derrubaram os Goblins dois e três de cada vez. Além disso, Ninya — que não mais era obrigado a conservar mana — começou a lançar magias de ataque. Em um piscar de olhos, os Goblins foram abatidos. Não restaram sobreviventes.

♦♦♦

Em meio ao fedor vil de cadáver que pairava no ar, Dyne curou as feridas de Lukrut e Peter usando a magia 「Light Healing」. Com mais nada para fazer, Ninya começou a cortar as orelhas dos Goblins com um punhal. Eles seriam pagos por entregar as orelhas à guilda.

É claro que aventureiros não reivindicam sua recompensa apenas com orelhas de monstros, em vez disso, apresentam diferentes partes do corpo conforme o apropriado para diferentes tipos de monstros, no entanto, Goblins e Ogros eram demi-humanos e, na maioria das vezes, apenas orelhas seriam o bastante.

Ninya cortou as orelhas com facilidade como um profissional, e então notou que Ainz e Narberal estavam olhando ao redor do lugar onde a maioria dos Ogros havia morrido. Eles pareciam estar procurando por algo.

“Algum problema?”

Depois de ouvir a pergunta de Ninya, Ainz levantou a cabeça e respondeu:

“Ah, eu estava pensando... esses monstros deixam cair itens, em particular, cristais ou coisas assim?”

“...Cristais? Eu nunca ouvi falar de Ogros carregando nada parecido com cristais.”

“Entendo. Eu só estava me perguntando se eles carregavam um tesouro.”

“Entendi. Eu estaria pulando de alegria se Ogros carregassem algo de valor.”

Ninya respondeu enquanto removia as orelhas dos Ogros com movimentos cometidos.

“Falando nisso... você é incrível, Momon-san. Eu senti que era um guerreiro orgulhoso de suas habilidades, mas eu não achei que você seria tão incrível.”

Quando ouviram as palavras de Ninya, os outros três aventureiros, que haviam terminado com sua magia de cura, disseram a Ainz:

“Aquilo foi ótimo! Eu estou admirado, tanto como pessoa, quanto como guerreiro e companheiro. Como treinou seus braços assim?”

“Eu pensei que você fosse somente muito rico, dado o jeito que estava acompanhado pela Nabe-chan. Mas que tipo de espadas são essas? Eu nunca vi algo tão valioso antes.”

“Agora sei que o que disse na guilda não foi um blefe. Na verdade, você está no mesmo nível do guerreiro mais poderoso do Reino.”

Narberal empinou o nariz, como em felicidade por aclamarem seu mestre. No entanto, Ainz estava freneticamente acenando com as mãos:

“Oh, não há necessidade de dizer isso, não fiz nada de mais.”

“Nada de mais...”

Peter e amigos sorriram amargamente.

“...Depois dessa batalha, finalmente entendi o que eles querem dizer com ‘sempre há alguém melhor’.”

“Tenho certeza de que todos vocês conseguirão me superar com facilidade.”

A resposta de Ainz fez com que os sorrisos nos rostos dos Espadas das Trevas ficassem ainda mais azedos.

Peter e os outros haviam trabalhado arduamente para se fortalecerem e economizaram tudo que podiam de seus ganhos, usando-os para se fortalecerem. Eles poderiam se dar bem porque todos compartilhavam o mesmo objetivo. No entanto, mesmo quando eles olhavam para todos os esforços que haviam feito desde que se tornaram aventureiros, nenhum deles conseguia se imaginar no nível de Ainz. Para os Espadas das Trevas, Ainz estava em um pináculo que quase ninguém conseguia alcançar.

Essa pessoa viajando com eles algum dia se tornaria um herói, cujo nome seria conhecido por todos. Ele se tornaria uma grande pessoa que estaria no topo de todos os outros aventureiros.

Todos estavam certos disso.

Yokai POP
Yokai POP

Dividindo com o mundo as histórias que eu gosto.

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