Overlord V02-10 (Rei Sábio da Floresta - Parte1)


Clementine voltou furtivamente ao esconderijo de Khajiit — o santuário secreto abaixo do cemitério de E-Rantel. Seus passos eram selvagens e fortes. Sobrancelhas franzidas e a boca torcida, suas feições bonitas foram distorcidas em algo que só poderia ter sido descrito com a palavra “horrendo”.

Dito isso, sua verdadeira natureza provavelmente era mais grotesca que aquela face.

Khajiit murmurou para si mesmo enquanto guiou um recém-criado Zombie até a área de armazenamento dos undeads.

“Oooh! Um novo Zombie? São mais de cento e cinquenta agora, o Orb of Death é extraordinário!”

O número de undeads que a magia de 3º nível 「Create Undead」 podia controlar era limitado pelo poder do magic caster. Quanto mais undeads a pessoa fazia, menos podia controlá-los. Ainda assim, os Zombies estavam entre os mais baixos níveis de undeads. Alguém como Khajiit, que era especializado em necromancia, podia manter seu domínio sobre a quantidade inacreditável de mais de 100 deles de uma só vez. A razão pela qual Khajiit podia controlar mais do que esse número era devido ao poder do item que ele carregava — Orb of Death.

“Tudo isso porque sempre brinca até demais nos arredores.”

“Mals aí~.”

Clementine se desculpou, mas não havia nem o menor indício de remorso em seu rosto enquanto o fez.

“Mesmo assim... a culpa é deles por morrerem tããão rápido. Não poderiam aguentar um pouquinho mais~?”

“...Quando os atinge dessa maneira, não é de se admirar que tenham morrido...”

“Ah, mas os aventureiros não morreriam só com isso~.”

“Talvez seja porque não são aventureiros, e sim apenas civis... Clementine, você gosta de fazer coisas óbvias para perder tempo?”

“Tá, táá, tááá~ foi mal, isso não vai acontecer novamente, me perdoa, vai~.”

Khajiit estalou a língua.

“Como se desse para acreditar. De todo modo, pare de ir atrás das pessoas.”

“Tááá~.”

Sua resposta volúvel fez Khajiit franzir as sobrancelhas. Ainda assim, não havia razão para isso, então decidiu não continuar a repreendê-la. Ele tentou expressar seu descontentamento com as rugas de sua carranca, mas, como esperado, ela o ignorou.

“Maaaas~ eu tô tão entediaaada— e o menino, onde será que ele foi parar, hein?”

“Ainda não retornou?”

“Ainda não. Tô com saudades — já que é difícil conseguir um abraço dele, que tal agarrar aquela velha, hein?”

“Nem pense nisso. A velha é uma magic caster de terceiro nível e uma pessoa famosa na cidade, então não a despreze. Um passo em falso perto dela e talvez se depare com um abismo tão profundo que não vai conseguir escalar.”

“Ehhhhh~? Mas—”

Khajiit enfiou a mão em suas vestes e retirou uma pedra preciosa negra.

“...Clementine, eu passei vários anos me preparando para transformar este lugar em uma cidade dos mortos. Eu não quero que suas travessuras infantis criem problemas para meus planos. Se continuar causando problemas... eu mato você.”

“...É chamado de Espiral da Morte, né?”

“Sim. É o rito que o nosso líder está conduzindo.”

Nos lugares onde os undeads se reuniam, undeads mais poderosos nasceriam. Quando esses undeads mais poderosos se reunissem, undeads ainda mais poderosos apareceriam. O ritual mágico que fez uso desta propriedade era como uma espiral, constantemente gerando seres undeads cada vez mais poderosos. Foi potente o suficiente para destruir uma cidade inteira, por isso era conhecido como a “Espiral da Morte”.

Esse ritual perverso havia sido conduzido no passado e transformou uma metrópole em uma cidade dos mortos, onde os undeads vagavam livres.

O objetivo de Khajiit era transformar E-Rantel em outra cidade morta. Ele se transformaria em um undead, aproveitando as energias necromânticas de tal lugar.

Ele fizera extensos preparativos para alcançar seu objetivo. Ele não deixaria essa mulher que apareceu há poucos dias estragar seus planos.

“Entendeu?”

Khajiit viu através das bochechas adoravelmente inchadas de Clementine. Sua expressão era de malícia cruel. Naquele momento, Clementine avançou como uma tempestade mortal.

Ela encurtou a distância entre eles em um instante, e o atingiu como um raio. A lâmina afiada em sua mão brilhou letalmente quando passou pela garganta de Khajiit—

♦♦♦

A pequena lâmina que Clementine lançou era uma arma perfurante conhecida como stiletto.

Havia pouca variação nas maneiras que alguém poderia atacar com uma arma perfurante, não eram armas fáceis de usar. Mas Clementine se favorecia em tais armas, e ela treinou seu corpo incessantemente, selecionou o melhor equipamento e aprendeu as Artes Marciais certas, tudo para matar em um único golpe.

Essa técnica, aperfeiçoada e refinada através de incontáveis batalhas com humanos e monstros, estava em um nível em que nenhuma pessoa normal poderia defender-se contra.

Clementine era naturalmente dotada de habilidades físicas que superaram as dos seres humanos normais. Além disso, ela passou a vida treinando e praticando suas habilidades de combate, então era natural que ela pudesse lutar em tal nível.

Porém, seu alvo não era uma pessoa normal.

Khajiit — um dos doze discípulos que eram o orgulho da Zurrernorn — não poderia ser morto tão facilmente.

♦♦♦

E um objeto parecido com uma parede branca que irrompeu do chão e interceptou a lâmina inevitável e afiada. Foi uma mão gigantesca feita de incontáveis ossos humanos, cobertos de ganchos que evocava à mente a imagem de vermes.

Os ganchos se contorceram e a terra ao redor deles virou pó. Sob o controle mental de Khajiit, uma criatura gigante começou a se revelar.

Ela podia sentir uma criatura undead poderosa sob os pés de Khajiit. O presunçoso Khajiit encarou Clementine e disse:

“Que perda de tempo. Por sua causa, fiquei distraído por um momento e perdi o controle dos outros undeads.”

“Tehe~ foi mal~ Mas eu não estava indo com toda minha força. Você fez tudo isso pra mal conseguir bloquear, não foi?”

“Nem você acredita na tamanha bobagem que disse, Clementine. Você não é do tipo que se retém.”

“Seu sem graça~ notou minha mentirinha~ Mm, se você não tivesse bloqueado, seu ombro já era. Mas só pra constar, eu não ia te matar — tá~?”

Khajiit franziu a testa novamente quando viu o sorriso odioso na mulher diante dele.

“Veja só isso, eu poderia vencer essa coisa — talvez os magic caster não pudessem vencer, mas uma guerreira como eu pode vencer isso sem suar muito. Eu não estou muito acostumada a usar armas do tipo—”

“...Sua especialização em matar com um golpe fatal pode torná-la forte contra os vivos, mas o que você fará contra aqueles que já estão mortos? Não há pontos vitais. E você realmente acha que essa coisa é a única carta que tenho na manga?”

“Mmm~ isso também é verdade~.”

Clementine olhou para a entrada. Ela parecia ter notado os undeads controlados por Khajiit, estavam esperando por suas ordens.

“Eu acho que poderia te vencer... mas se eu prolongar a luta, provavelmente vou perder~ tehe~, desculpe, Khajii-chan.”

Clementine devolveu seus stilettos sob o manto e o estrondo da terra cessou.

“Maaaaaas~ você é um controlador de undeads bem especializado~ bom trabalho!”

Com isso, Clementine se virou, saiu e disse:

“Ah, sim, sim, eu não vou tocar na velhinha lá até o final. Eu também não vou caçar pessoas. Tá bom assim?”

“...Mm.”

Khajiit não liberou o poder que estava segurando até Clementine sair. Ele continuou a segurá-lo mesmo depois que sua sombra se foi de seu santuário subterrâneo.

“Que psicopata!”

—Cuspiu Khajiit. Ele tinha suas próprias falhas, mas não era tão ruim quanto Clementine.

“É habilidosa daquele jeito e ainda... não, o motivo de ter uma personalidade tão distorcida é justamente por ser tão habilidosa.”

Clementine era muito forte. Mesmo entre os Doze Executivos da sociedade secreta Zurrernorn, apenas três deles poderiam vencê-la. Infelizmente, Khajiit não era um deles. Mesmo com o item mágico na mão, ele só tinha cerca de 30% de chance de sucesso.

“A Ex-Nono Assento da Escritura Preta... Pessoas com problemas mentais portando o poder dos heróis, que combinação problemática...”

♦♦♦

“Nossa, que horrível.”

Nfirea suspirou profundamente e murmurou para si mesmo.


Nfirea já conviveu com os pais de Enri. Eles eram ótimos pais, e a maneira como amavam suas filhas era invejável. Nfirea havia perdido seus pais em tenra idade e só tinha lembranças obscuras deles. Portanto, quando ele pensava em um excelente pai e mãe, Nfirea imediatamente pensava nos pais de Enri.

Ele ficou cheio de raiva quando soube que tinham sido mortos pelos falsos cavaleiros do Império, tudo o que conseguia pensar quando soube da fatalidade, foi em honrar suas memórias corretamente. Ele também estava um pouco irritado com os dirigentes de E-Rantel, que se recusaram a enviar soldados.

Contudo, sentiu que era errado demonstrar tanta raiva, pois Enri — para quem essa raiva era muito mais justificada — tinha deixado esses sentimentos de lado.

Ele olhou para Enri, havia lágrimas em seu rosto. Enquanto se perguntava se deveria tentar consolá-la, Enri enxugou as lágrimas e sorriu:

“Eu ainda tenho uma irmãzinha. Não posso me perder na tristeza para sempre.”

Nfirea estava sentado na metade da cadeira e então se ajustou no assento novamente. Tendo perdido a chance de consolá-la, ele sentiu que desperdiçara uma oportunidade e teve vergonha de sua própria inutilidade.

Mesmo assim — seu desejo de protegê-la não mudara. Após uma breve pausa, Nfirea se decidiu. Ele não deixaria ninguém além de si mesmo sentar ao lado de Enri, mesmo que essa pessoa fosse um ser poderoso que pudesse protegê-la.

Sentiu-se um pouco ansioso, mas enquanto estava cavalgando nessa onda de emoção, Nfirea decidiu compartilhar os sentimentos que tivera desde que veio a esse vilarejo pela primeira vez quando criança.

“Então—”

Sua garganta parecia ter se fechado.

Vamos lá, diga!

Embora ele quisesse desesperadamente falar, as palavras ficaram presas em sua garganta e se recusaram a sair.

Ambos Enri e Nfirea estavam em uma idade em que não seria incomum para eles serem casados. Além disso, devido à sua renda como herborista, Nfirea tinha dinheiro suficiente para sustentar Enri e sua irmãzinha.

Eu provavelmente posso sustentar uma criança também...

A imagem da família que queria ter apareceu em sua mente — mas imediatamente interrompeu sua imaginação fugidia. Saber que Enri estava perto, e encarando-o, só serviu para deixá-lo ainda mais nervoso.

Sua boca se abriu e depois fechou.

Eu gosto de você. Eu te amo!

Mas as palavras se recusaram a sair de seus lábios, pois o receio de ser rejeitado o impediu. Então, o que mais ele poderia dizer para encurtar a distância entre eles?

A cidade é mais segura, você quer morar comigo? Eu vou cuidar de você e de sua irmãzinha. Se quiser trabalhar, pode ajudar na loja da Obaa-chan. Se não se sentir confortável com a cidade, farei o possível para te ajudar.

Ele deveria dizer isso. As chances de essas palavras serem rejeitadas seriam muito menores do que uma confissão de amor.

“Enri!”

“O que aconteceu, Nfirea?”

Enri se assustou quando Nfirea chamou seu nome em voz alta. Ele começou a falar:

“—Se, se, se você tiver algum problema, me avise. Farei o que puder para te ajudar!”

“Obrigada... Você é um amigo tão bom, eu tenho sorte de ter você como amigo, Nfirea!”

“Ah, ah, er... é, é que nos conhecemos há tanto tempo, afinal.”


Nfirea foi incapaz de dizer qualquer outra coisa em face do sorriso radiante de Enri. Ele se amaldiçoou por sua inutilidade, mas ao mesmo tempo refletia com carinho sobre o quão fofa Enri era, e sobre os tempos que passara conversando com ela.

Assim que parecia que o assunto estava no fim, Nfirea fez uma pergunta:

“De-deixando isso de lado, onde foi que arrumou aqueles Goblins?”

Esses Goblins chamavam Enri de “Ane-san”. Além disso, esses Goblins diferiam muito dos que haviam encontrado na estrada para Carne; eles tinham o ar de guerreiros veteranos. Foi ainda mais surpreendente ver um magic caster entre eles. Quando e onde esses Goblins encontraram uma simples garota do vilarejo como Enri, e que tipo de relacionamento ela tinha com eles?

Enri simplesmente respondeu:

“Eles apareceram depois que eu usei um item mágico dado a nós pelo salvador de nosso vilarejo, Ainz Ooal Gown. Eles seguem minhas ordens.”

“Entendi...”

Os olhos de Enri eram como estrelas gêmeas cintilantes quando ela disse esse nome. Isso fez Nfirea sentir-se desgostoso por dentro.

Ainz Ooal Gown.

Enri já havia mencionado esse nome várias vezes desde que começaram a conversar.

Quando o Vilarejo Carne foi atacado por homens misteriosos trajados como cavaleiros do Império, um magic caster que estava passando por perto salvou o vilarejo com seu tremendo poder, devolvendo à paz que haviam perdido. Ele era o salvador de Enri e alguém a quem Nfirea deveria agradecer. E o olhar no rosto de Enri o fazia se sentir incomodado o bastante para agradecer-lhe seriamente.

Ele podia entender como Enri se sentia quando mencionava seu messias, mas, ao mesmo tempo, o ciúme brotou no fundo do seu coração. Ele estava cheio de seu amor unilateral por Enri e por seu espírito competitivo como homem. Influenciado por essas emoções, uma mistura de sentimentos ruins começara a tomar forma.

Nfirea empurrou esses sentimentos de lado e voltou seus pensamentos para o item mágico de que Enri havia falado.

Era um item mágico que chamava Goblins, chamado de “Horns of the Goblin Alguma Coisa”.

O magic caster que salvara seu Vilarejo havia explicado que tipo de trombeta era, mas como sua mente estava confusa demais naquela época, sua memória era nebulosa.

Nfirea sentiu que era um pouco estranho.

Ele não fazia a menor idéia das especificidades de um item mágico desses, mas era estranho que ela tivesse esquecido. Dada à situação do ocorrido, dificilmente alguém esqueceria dos detalhes de um item mágico com habilidades especiais, uma vez que este detalhe colocava a vida de muitas pessoas em jogo.

Ainda assim, havia muitos itens mágicos que poderiam invocar criaturas, assim como havia muitas magias de invocação. Qualquer monstro chamado por essas magias desapareceria depois de um tempo.

Monstros invocados não eram criaturas que pudessem persistir por um longo tempo.

Se esse item pudesse fazer isso, poderia reescrever toda a história e teoria sobre magias.

Quão valioso era um item mágico que poderia realizar tal façanha? Enri não parecia ter percebido o seu valor, mas se ela o vendesse, provavelmente poderia viver confortavelmente pelo resto da vida.

Enri usara esse item raro e precioso porque não queria que o sangue escorresse pelas vielas do Vilarejo uma vez mais.

Nfirea achava que essa linha de pensamento era muito do estilo dela. Assim, os Goblins que ela convocou chamavam-na de “Ane-san”, seguiam suas ordens e, além de proteger o vilarejo, até ajudavam nos campos. Aparentemente, eles estavam ensinando aos aldeões como usar arcos e como se defender. Como resultado, o vilarejo ganhou vários novos estranhos residentes.

Parte da razão pela qual os aldeões aceitaram os Goblins sem relutância, foi porque os cavaleiros que haviam atacado os aldeões eram seres humanos como eles. Isso os fez desconfiar dos seres humanos, levando-os a aceitar mais facilmente a ajuda dos Goblins.

Outro grande motivo foi porque quem atribuiu esse item a eles foi o magic caster que salvou o vilarejo.

“Então, ele se chamava Ainz Ooal Gown? Que tipo de homem ele é? Eu gostaria de agradecê-lo pessoalmente.”

Nfirea não sabia nada sobre o nome Ainz Ooal Gown. Além disso, Enri não tinha visto o rosto dele sob a máscara, então ela não tinha idéia de quem era. Ainda assim, qualquer um que pudesse dar itens preciosos como aquelas trombetas, deveria ser alguém importante. Se ela tivesse visto o rosto dele, não teria esquecido facilmente. Assim que Nfirea terminou sua fala, um olhar de decepção apareceu em Enri.

“Então você... Eu estava pensando que você o conheceria, Nfirea...”

A resposta de Enri fez o coração de Nfirea bater forte, e gotas de suor escorreram desconfortavelmente em suas costas.

...Veja bem, ele seria um sucesso apenas por sua força.

As palavras da noite passada apareceram na mente de Nfirea, ele começou a ofegar e a respirar pesadamente.

Lutando contra o desconforto em seu coração, Nfirea perguntou:

“En-Enri, o que, o que você vai fazer quando encontrar esse tal de Gown?”

“—Hm? Gostaria de agradecê-lo corretamente. O pessoal do vilarejo sugeriu a idéia de construir uma pequena estátua de cobre para agradecer por ter nos salvado, e eu preciso mostrar minha gratidão também...”

Depois de sentir que a resposta não continha nenhum indício de afeto que o assustasse, Nfirea soltou um suspiro de alívio e relaxou os ombros tensos.

“Ah. É por isso? Mm... hoo. Concordo, então precisa mesmo agradecer a ele. Chegou a notar alguma característica especial, ou se ele te lembra alguém, talvez isso diminuísse as probabilidades... Já sei, sabe que tipo de magia ele usou?”

“Ah, magia, huh. Foi realmente incrível. Deu um clarão, então saiu um relâmpago e o cavaleiro caiu duro.”

“Relâmpago, huh... você o ouviu dizer 「Lightning」 ou algo assim?”

Os olhos de Enri olharam para o céu e então ela assentiu profundamente.

“Uhum! ...Eu acho que ouvi ele dizer isso. Mas acho que tinha outra palavra antes...”

Depois de ouvir Enri cair em murmúrios, Nfirea concluiu que esse sujeito do Gown deve ter dito alguma coisa antes de lançar sua magia.

“Se for esse o caso... deve ser magia do terceiro nível.”

“...Terceiro nível... isso é incrível?”

“Claro que é! Eu só posso usar magia de segundo nível. Terceiro nível de magia é o limite para pessoas normais. Apenas pessoas talentosas podem usar magia além disso.”

“Eu sabia! O Gown-san é realmente incrível!”

Enri respeitosamente assentiu. No entanto, Nfirea não achava que o magic caster chamado Ainz estava limitado a magias de 3º nível. Dado que ele era uma pessoa que poderia despreocupadamente dar os itens mágicos, ele poderia até usar magias de 5º nível, que eram o domínio dos heróis.

O que um sujeito tão bom veio procurar em um vilarejo como este?

Ainda confuso, Nfirea inclinou a cabeça pensando, e Enri, por sua vez, soltou uma frase bombástica o bastante para sanar suas dúvidas.

“Além disso, ele também me deu uma poção vermelha—”

Nfirea recordou parte de uma conversa anterior:

♦♦♦

“Então, e se eu lhe pagasse e você me contasse mais sobre a pessoa que lhe deu aquela poção?”

A guerreira chamada Britta não pareceu feliz com o pedido:

“E por que quer saber?”

“É para encontrar pistas que me levem àquele homem misterioso de armadura completa. Se entrarmos em suas boas graças, ele pode nos dizer de onde tirou essa poção, entendeu? Ele pode deixar algo escapar por acidente, e como é um aventureiro, eu quero o contratar. Concorda com isso, Nfirea?”

♦♦♦

Essa foi a razão pela qual Nfirea requisitou Momon pelo nome.

O plano de Nfirea era trocar informações sobre a poção ao aprofundar sua amizade com Momon. Além disso, se fossem colher ervas juntos na floresta, Momon poderia revelar algo acidentalmente.

Nfirea tentou esconder a excitação em seu coração e, na mesma voz calma de antes, perguntou à Enri:

“Hm, que tipo de poção foi?”

“Como assim?”

“Bem, eu sou um herborista, é claro que vou ficar interessado se falar de poções.”

“Ahhh, isso mesmo! Fazer essas coisas é o seu trabalho.”

Enri contou a Nfirea tudo o que sabia sobre o magic caster e a poção que ele lhe dera. Ela mencionou os feitos maravilhosos do messias chamado Ainz Ooal Gown tantas vezes que até perdeu a conta. O Nfirea de agora poderia estar cheio de ciúmes, mas no momento, sua mente estava pensando em outros assuntos.

Ele juntou todas essas informações e, depois de escavar várias camadas de mistério, a verdade oculta foi revelada.

Era muito provável que a poção que aparecera em E-Rantel e a que Enri bebera fosse a mesma. Também tinha a coincidência de um par de aventureiros aparecendo em ambos os lugares, guerreiro de armadura completa e magic caster, em um curto período de tempo.

Só poderia haver uma resposta, mas havia duas pessoas que eram candidatas a ser Ainz Ooal Gown. Pelo que Enri dissera, ele concluiu que Ainz era um homem, mas decidiu perguntar de novo só para ter certeza.

“...Essa pessoa, Ainz Ooal Gown poderia ser... uma mulher?”

“Eh? Acho que não, né? Não cheguei a ver o rosto dele, mas a voz era de homem sim.”

Por si só, isso não era prova de que Ainz era homem. Afinal, havia magias e itens mágicos que poderiam alterar a voz. Parecia estranho pensar que Nabe = Ainz Ooal Gown. A impiedosa e ocasionalmente ingênua Nabe parecia completamente diferente do sábio, benigno e justo Ainz. Era claramente muito exagerado pensar nela como Ainz.

“E a pessoa na armadura de placas pretas se chamava Albedo, eu acho.”

“Só, só pode...”

Ele se lembrou do nome de quando Nabe disse isso.

A resposta estava clara como o dia.

Ainz Ooal Gown = Momon.

A partir disso, ele pôde desenhar uma revelação surpreendente.

O magic caster que salvou o vilarejo também era um guerreiro temível. Embora houvesse alguns guerreiros com treinamento mágico, na maioria das vezes, um anulava os pontos positivos do outro. Na mesma linha de pensamento, os magic caster arcanos não podiam lançar magias enquanto usavam o equipamento pesado que a maioria dos guerreiros preferia.

Então ele era um magic caster de 3º nível, assim como um espadachim a par de um aventureiro de adamantite.

Só pode ser piada. Se isso é real mesmo, então ele é um herói entre os heróis.

Ainda assim, por que ele havia feito tantas perguntas quando conversavam?

A resposta mais lógica foi que ele era um magic caster que aprendera sua arte em outro país e não tinha noção de como era a cultura e magia por estas bandas. Sendo esse o caso, fazia sentido que ele possuísse poções de outra terra, cujos meios de fabricação fossem completamente desconhecidos.

Depois de aprender esta informação inestimável, sua respiração ficou irregular. Ele não conseguiu se acalmar, mesmo sabendo que Enri estava olhando para ele.

Seu coração estava cheio de emoções complexas.

Ainz salvou Enri e ainda lhe deu poções. Em comparação a isso, Nfirea não passava de um moleque desprezível que tentava entrar nas boas graças de Momon, para aprender como ele fazia essas poções, e saber disso o envergonhava.

Era natural que Enri se apaixonasse por alguém como Momon.

Enquanto pensava sobre isso, não pôde evitar de suspirar pesadamente.

“Você está bem? Quer uma água?”

“Mm, mn. Eu estou bem, só estava pensando em algo...”

Talvez ele pudesse tentar afastar seus sentimentos de culpa, pensando que ele queria aprender o segredo dessa poção, a fim de salvar as pessoas. No entanto, isso dificilmente parecia convincente, uma vez que ele queria aprender a fazer essas poções como herborista.

Um poderoso guerreiro que também era um excelente magic caster, alguém acompanhado por uma linda mulher, possuía poções desconhecidas, um homem justo que salvou uma inocente aldeã do perigo... assim como o salvou também.

Nfirea considerou a distância entre ele e Ainz Ooal Gown — não, Momon — e entrou em desespero.

“Tem certeza que não tem nada de errado? Você parece esquisito...?”

“Ah, mm. Não é nada.”

Nfirea reprimiu um suspiro e sorriu fracamente. Ele estava ciente de que não era bom em atuar a ponto de parecer algo natural e, dada à expressão de Enri, ficou claro que ela notou seu sorriso falso.

“...Como direi isso? Enri, você não gosta de pessoas que escondem coisas de você, não é?”

“...Todos tem algo que gostariam de esconder quando levado aos deuses, especialmente coisas que machucariam os outros se faladas. Mas é diferente se essas coisas que esconde prejudicasse alguém... Nfirea, eu não irei te odiar por isso, mas se cometeu algum crime, você precisa confessar seus pecados ao magistrado!”

“...Não, não é algo assim.”

“Sim... mm! Sabia desde o início! Você não é malvado pra fazer coisas assim. Por isso eu confio em você!”

Quando ele olhou para a risonha Enri, Nfirea deixou a tensão fluir de seus ombros.

“Mm, mas ainda assim, obrigado. É estranho, mas depois de dizer isso, sinto um peso saindo dos meus ombros. Vou me esforçar ao máximo para ser digno dessa confiança.”

Para que eu possa erguer minha cabeça, olhar nos seus olhos e dizer que eu te amo.

Enri, que não tinha idéia de que as palavras anteriores eram a declaração apaixonada de Nfirea, simplesmente sorriu e acenou educadamente.

Yokai POP
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Dividindo com o mundo as histórias que eu gosto.

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